Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês

Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês

Atualizado em 13/09/2007 às 15:09, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês

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Há muitos anos a palavra "Comércio" deixou de ser grafada com dois "m´s", mas o jornal carioca que traz a expressão em seu título insiste em manter a grafia original. O motivo? A continuidade da tradição de um dos diários mais antigos do país, o Jornal do Commercio ( JC ).

A recusa em mudar, no entanto, restringe-se ao nome, pois, nestes 180 anos de circulação ininterrupta, o JC já passou por várias reformulações, em sua linha editorial e também no design.

Em 1827, ano de sua fundação, o periódico era praticamente o único jornal do país e, por isso, tinha conteúdo bastante "eclético". Com a chegada de outros grandes jornais, como Jornal do Brasil , O Globo , O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, o JC teve de se reformular.

A mudança fez com que o periódico se voltasse mais para a economia e, hoje, seus únicos concorrentes são o Valor Econômico e a Gazeta Mercantil , o que não deixa se ser um páreo duro de enfrentar.

"Temos nossa tradição de mercado, mas isso não é um peso para nós. Somos um jornal econômico que dá também atenção à parte jurídica e à de leilões. Somos referência nesta área de leiloaria. Mas, a divisão do mercado é uma realidade, então corremos atrás para atender sempre as exigências de nossos leitores", disse o presidente do JC , Maurício Dinepi, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Atualmente, o JC tem tiragem de 35 mil exemplares, edições locais em São Paulo (SP) e Brasília (DF) e um público formado majoritariamente por profissionais do ramo econômico, jurídico e de leilões, com idade acima de 25 anos.

Sua equipe é formada por 317 funcionários, sendo que cerca de 90 são jornalistas. Entre os articulistas que já contribuíram - ou ainda contribuem - para o jornal, estão nomes famosos do passado e da atualidade, como Barão do Rio Branco, José de Alencar, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Austregésilo de Athayde, José Sarney, Santiago Dantas e Carlos Heitor Cony.

Os planos para o futuro, segundo Dinepi, incluem investimentos em conteúdo e atualizações. "Hoje não existe mais a briga para ver quem vai conseguir entregar o jornal na casa do leitor até às 5h da manhã. O futuro é para aquele que fornece conteúdo, então, vamos entrar nessa disputa. Essa é a tendência", diz.

No dia 1º de outubro, data de seu aniversário, o jornal passa por mais uma reformulação, implementando uma identidade visual mais próxima a do Correio Brasiliense .

Tais transformações, de acordo com Dinepi, são necessárias para que o jornal possa sempre aliar tradição e modernidade. A única coisa que não muda no Jornal do Commercio ? "O 'm', não tenho coragem de tirar", finaliza Dinepi.

Comemoração

Para comemorar seu aniversário, o JC promoverá uma festa nos salões do Copacabana Palace, no dia 1º de outubro. Durante o evento, que deve contar com a presença do presidente Lula e do governador do Estado, Sérgio Cabral, dez personalidades brasileiras serão homenageadas, com a entrega do "Troféu 180 anos".

Além das homenagens, o JC também preparou uma publicação que fala de sua trajetória. Escrito por Cícero Sandroni, o livro "Jornal do Commercio - 1827/2007 - de D. Pedro I a Luiz Inácio Lula da Silva" relata como o jornal registrou e analisou os principais acontecimentos da história do Brasil e traz um resumo dos textos de seus principais colaboradores.

Confira abaixo alguns trechos de "Jornal do Commercio - 1827/2007 - de D. Pedro I a Luiz Inácio Lula da Silva", que o Portal IMPRENSA traz ao leitor com exclusividade:

- O Jornal do Commercio foi fundado em 1827 pelo editor francês Pierre Plancher. Iluminista, Plancher decidiu mudar-se para o Brasil depois que a dinastia Bourbon voltou ao poder na França e mergulhou o país numa época de dura censura. Por essa razão, o editor, que foi perseguido em seu país natal, veio colocar suas idéias em prática aqui, apenas cinco anos depois que o país conquistara sua independência.

- O Jornal do Commercio caracterizava-se por ser o jornal da informação. No início, não havia equipe de fotógrafos e o diário não publicava caricaturas por uma questão de tradição. Era um jornal exclusivamente de texto.

- Em 1911, passou a publicar a "Folha Ilustrada", que era impressa mensalmente em Paris. Entre as 25 páginas, podiam ser encontradas ilustrações coloridas, marcando o início do fotojornalismo brasileiro. A publicação trazia novidades tecnológicas de automóveis e os progressos da aviação. A moda também foi tema recorrente, uma tentativa de retratar a alta sociedade.

- O Jornal do Commercio contou com a participação de vários colaboradores renomados. O Barão do Rio Branco, por exemplo, costumava ir para a redação do JC depois do expediente e escrever artigos sobre política internacional.

- Alguns colaboradores: Austregésilo de Athayde, Carlos Heitor Cony, Delfim Neto, Antônio Calado, Lima Barreto, Martins Pena, entre outros.