Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês
Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês
Jornal do Commercio completa 180 anos de circulação ininterrupta no próximo mês
Por Há muitos anos a palavra "Comércio" deixou de ser grafada com dois "m´s", mas o jornal carioca que traz a expressão em seu título insiste em manter a grafia original. O motivo? A continuidade da tradição de um dos diários mais antigos do país, o Jornal do Commercio ( JC ).
A recusa em mudar, no entanto, restringe-se ao nome, pois, nestes 180 anos de circulação ininterrupta, o JC já passou por várias reformulações, em sua linha editorial e também no design.
Em 1827, ano de sua fundação, o periódico era praticamente o único jornal do país e, por isso, tinha conteúdo bastante "eclético". Com a chegada de outros grandes jornais, como Jornal do Brasil , O Globo , O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, o JC teve de se reformular.
A mudança fez com que o periódico se voltasse mais para a economia e, hoje, seus únicos concorrentes são o Valor Econômico e a Gazeta Mercantil , o que não deixa se ser um páreo duro de enfrentar.
"Temos nossa tradição de mercado, mas isso não é um peso para nós. Somos um jornal econômico que dá também atenção à parte jurídica e à de leilões. Somos referência nesta área de leiloaria. Mas, a divisão do mercado é uma realidade, então corremos atrás para atender sempre as exigências de nossos leitores", disse o presidente do JC , Maurício Dinepi, em entrevista ao Portal IMPRENSA.
Atualmente, o JC tem tiragem de 35 mil exemplares, edições locais em São Paulo (SP) e Brasília (DF) e um público formado majoritariamente por profissionais do ramo econômico, jurídico e de leilões, com idade acima de 25 anos.
Sua equipe é formada por 317 funcionários, sendo que cerca de 90 são jornalistas. Entre os articulistas que já contribuíram - ou ainda contribuem - para o jornal, estão nomes famosos do passado e da atualidade, como Barão do Rio Branco, José de Alencar, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Austregésilo de Athayde, José Sarney, Santiago Dantas e Carlos Heitor Cony.
Os planos para o futuro, segundo Dinepi, incluem investimentos em conteúdo e atualizações. "Hoje não existe mais a briga para ver quem vai conseguir entregar o jornal na casa do leitor até às 5h da manhã. O futuro é para aquele que fornece conteúdo, então, vamos entrar nessa disputa. Essa é a tendência", diz.
No dia 1º de outubro, data de seu aniversário, o jornal passa por mais uma reformulação, implementando uma identidade visual mais próxima a do Correio Brasiliense .
Tais transformações, de acordo com Dinepi, são necessárias para que o jornal possa sempre aliar tradição e modernidade. A única coisa que não muda no Jornal do Commercio ? "O 'm', não tenho coragem de tirar", finaliza Dinepi.
Comemoração
Para comemorar seu aniversário, o JC promoverá uma festa nos salões do Copacabana Palace, no dia 1º de outubro. Durante o evento, que deve contar com a presença do presidente Lula e do governador do Estado, Sérgio Cabral, dez personalidades brasileiras serão homenageadas, com a entrega do "Troféu 180 anos".
Além das homenagens, o JC também preparou uma publicação que fala de sua trajetória. Escrito por Cícero Sandroni, o livro "Jornal do Commercio - 1827/2007 - de D. Pedro I a Luiz Inácio Lula da Silva" relata como o jornal registrou e analisou os principais acontecimentos da história do Brasil e traz um resumo dos textos de seus principais colaboradores.
Confira abaixo alguns trechos de "Jornal do Commercio - 1827/2007 - de D. Pedro I a Luiz Inácio Lula da Silva", que o Portal IMPRENSA traz ao leitor com exclusividade:
- O Jornal do Commercio foi fundado em 1827 pelo editor francês Pierre Plancher. Iluminista, Plancher decidiu mudar-se para o Brasil depois que a dinastia Bourbon voltou ao poder na França e mergulhou o país numa época de dura censura. Por essa razão, o editor, que foi perseguido em seu país natal, veio colocar suas idéias em prática aqui, apenas cinco anos depois que o país conquistara sua independência.
- O Jornal do Commercio caracterizava-se por ser o jornal da informação. No início, não havia equipe de fotógrafos e o diário não publicava caricaturas por uma questão de tradição. Era um jornal exclusivamente de texto.
- Em 1911, passou a publicar a "Folha Ilustrada", que era impressa mensalmente em Paris. Entre as 25 páginas, podiam ser encontradas ilustrações coloridas, marcando o início do fotojornalismo brasileiro. A publicação trazia novidades tecnológicas de automóveis e os progressos da aviação. A moda também foi tema recorrente, uma tentativa de retratar a alta sociedade.
- O Jornal do Commercio contou com a participação de vários colaboradores renomados. O Barão do Rio Branco, por exemplo, costumava ir para a redação do JC depois do expediente e escrever artigos sobre política internacional.
- Alguns colaboradores: Austregésilo de Athayde, Carlos Heitor Cony, Delfim Neto, Antônio Calado, Lima Barreto, Martins Pena, entre outros.






