Folha publica "resposta" de Comparato e Benevides à críticas do jornal
Folha publica "resposta" de Comparato e Benevides à críticas do jornal
Folha publica "resposta" de Comparato e Benevides à críticas do jornal
| Diógenis Silva/Câmara |
| Fábio Comparato |
A nota emitida por Frias foi publicada na edição do dia 08/03 do jornal. Nela, eram reiteradas as críticas aos professores. Em razão disso, ambos pediram, por meio de advogados, que a Folha lhes concedesse "direito de resposta", o que foi concedido na edição do último sábado (14/03), no caderno "Brasil".
Abaixo, a reposta na íntegra.
"Levar mais de duas semanas para reconhecer um desatino editorial (a classificação do regime militar brasileiro como "ditabranda'), imputando a responsabilidade pelo episódio ao teor de nossas críticas, não parece um comportamento compatível com a ética do jornalismo. Sempre sustentamos, sem precisar receber lições de ninguém, que as vítimas de regimes arbitrários, aqui e alhures, merecem igual proteção e respeito, sem desvios ideológicos ou idiossincrasias pessoais."
Junto da reposta, a Folha anexou "Nota da Redação" e ironizou o fato de os professores fazerem valer o "direito de resposta", baseada na Lei 5.250/67, editada pela ditadura militar. Acompanhe:
"Nota da Redação: O tratamento dado pela Folha ao uso da palavra "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro, com a publicação de diversas críticas e o reconhecimento da impropriedade do termo, é um exemplo de transparência editorial. Imaginava-se encerrado o episódio, mas os professores Comparato e Benevides estão empenhados em extrair dele o máximo rendimento possível. As opiniões de ambos sempre foram transmitidas pelo jornal, por meio de numerosos artigos, sem a necessidade de advogados. A "resposta" acima é publicada com base na Lei 5.250/67, editada pela ditadura militar, a fim de que vítimas de regimes cautelosamente chamados de "arbitrários" e vagamente situados "alhures" também se sintam destinatários dessa solidariedade envergonhada."
Entenda o caso
Em editorial publicado em 17 de fevereiro, no qual o jornal comentava a vitória de Hugo Chávez em referendo que deu ao presidente venezuelano o direito de candidatar-se à reeleição quantas vezes quiser, o jornal classificou o regime militar instaurado no Brasil como "ditabranda", se comparado a ditaduras de outros países da América Latina.
O texto rendeu uma série de comentários e reações por parte dos leitores da Folha . Segundo informa o jornal, foram publicadas 21 cartas sobre o tema no "Painel do Leitor", sendo 18 contrárias ao diário. Entre elas, as cartas enviadas pelos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato foram respondidas com rispidez, outro fato causador de polêmica.
O descontentamento de parte dos leitores culminou no protesto realizado em frente ao jornal, com a presença de familiares de vítimas da ditadura, sindicalistas e estudantes. O ato foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia.
Leia mais
-






