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"Folha de S.Paulo se acomodou e envelheceu", diz Ricardo Noblat

"Folha de S.Paulo se acomodou e envelheceu", diz Ricardo Noblat

Atualizado em 27/08/2007 às 15:08, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

" Folha de S.Paulo se acomodou e envelheceu", diz Ricardo Noblat

Por Na última quarta-feira (22/08), a diretoria do jornal Folha de S.Paulo tomou uma decisão que depois se mostrou equivocada. Ao contrário do jornal O Globo , a Folha não publicou reportagem sobre a troca de mensagens entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia, durante a sessão de julgamento dos envolvidos no caso do mensalão.

Fotógrafos dos dois jornais registraram a troca de mensagens e repórteres escreveram reportagens a respeito. No entanto, somente O Globo publicou os materiais que, apesar de algumas manifestações contrárias à atitude do jornal, teve grande repercussão na mídia e aprovação de jornalistas, entidades de classe e políticos.

A decisão pela não publicação foi tomada após a direção da Folha consultar o Departamento Jurídico da empresa e o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, que a aconselhou a não publicar a reportagem. Os advogados entenderam que ela violava a privacidade dos ministros e o sigilo de correspondência.

Segundo fontes internas do jornal, após perceber o equívoco, o clima na redação se tornou tenso e, durante a quinta-feira (23/08), a direção se reuniu para avaliar a forma como consertaria o erro. Na sexta-feira, a Folha publicou a reportagem que permanecia inédita e repercutiu a reportagem de O Globo .

Para alguns jornalistas, a atitude da Folha de S. Paulo é só um exemplo da fase de letargia que o jornal atravessa, agora menos "atrevido".

Em texto publicado na última sexta-feira (24/08), Ricardo Noblat diz que a Folha não se atreve mais a dar furos como este da troca de mensagens e que "parece estar esgotada a vitalidade que tanto influenciou os demais jornais".

"De meados dos anos 80 até o fim dos anos 90 do século passado, a Folha foi o jornal, digamos assim, mais atrevido e inovador entre os chamados "grandes jornais" do país. Por isso mesmo, foi também o que mais aumentou sua circulação e angariou prestígio e respeito", diz o texto do jornalista.

Apesar de o jornal ter cometido algumas "barrigas", como a vez em que publicou entrevista de com um tal de Mister X onde ele denunciava a compra de votos para a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso, Noblat defendeu a existência de uma certa dose de ousadia nas redações dos jornais.

"Foi um erro. Mas um erro de um jornal que tinha como objetivo quebrar paradigmas e se renovar o tempo todo. [...] O episódio do 'furo' que a Folha preferiu levar é o mais emblemático da fase de letargia que o jornal atravessa. Ele se acomodou e envelheceu", finaliza.