José Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB. - Portal Imprensa ">
José Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB. - Portal Imprensa ">

Dois pesos, duas medidas
"O PT não vai desaparecer"
José Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB.

Dois pesos, duas medidas
"O PT não vai desaparecer"
José Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB.

Atualizado em 28/09/2005 às 12:09, por Redação Revista Imprensa.

Dois pesos, duas medidas
"O PT não vai desaparecer"
José Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB.

"O PT não vai desaparecer"

O presidente nacional do PCdoB, José Renato Rabelo ,tem 63 anos,nasceu na Bahia e é jornalista. Foi presidente da UEB - União dos Estudantes da Bahia em 1965; vice-presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes,em 1966.E um dos principais dirigentes da Ação Popular AP até a incorporação desta organização ao Partido Comunista do Brasil em 1972.

IMPRENSA - O sr.acredita que existe uma conspiração das classes conservadoras para enfra
RENATO RABELO -
Eu não considero uma conspiração. Toda crise política, quando chega a esse nível, se transforma em luta política, por mais que se procure esconder isso. E, como em toda luta política, existem dois lados. De um, estão as forças que compõem o governo Lula. Do outro, você tem as forças que foram derrotadas em 2002 e têm o objetivo de voltar. É uma espécie de revanche. Independente disso, é claro que o PT cometeu seus erros, muitos

IMPRENSA - O sr. acha que a bandeira da ética vai deixar de ser uma bandeira do PT?
RABELO -
É difícil o PT manter a ética como bandeira. A trajetória do PT nesses 25 anos teve muitos prós e contras. Existe um questionamento muito grande quanto ao programa do partido. O PT vai ter que passar por uma fase de transição Mas não acredito que vá desaparecer. Isso é uma ilusão, talvez desejo, de alguns.

IMPRENSA - Nessa nova realidade do PT,, muda alguma coisa na relação com o PCdoB?
RABELO -
Nós vamos ter que esperar para ver que relações nós vamos manter com o PT. Antes (da crise) era um tipo de relação. Mas tudo vai depender dos rumos que o PT vai tomar, de qual será a nova fi sionomia do Partido dos Trabalhadores, qual exatamente será o programa que vai prevalecer. O nosso esforço é para que o PT consiga se recompor, porque é uma força importante e sempre foi um aliado nosso.

IMPRENSA - A crise vai deixar um vácuo na es querda brasileira?
RABELO -
(O governo Lula) Não é exatamente de esquerda, mas uma frente de centroesquerda, com forças de centro muito fortes. Mas fi ca sempre a idéia de que é um governo de esquerda. Então, se esse governo falhou, a opinião que fi ca é: "a esquerda não dá certo". Isso atinge a esquerda. Sobre surgir uma nova esquerda.. olha, quem ganha com isso (a crise) são as forças conservadoras, não a esquerda. Eu não acredito que, com essa derrota nossa, alguma força de esquerda tenha condições de voltar imediatamente. Não tem.

IMPRENSA - O sr.acha que o PSOL pode ocupar o vácuo do PT?
RABELO -
A gente não pode dizer isso de antemão, de imediato. A crise pode até benefi ciar um ou outro setor de esquerda, mas secundariamente. Por exemplo: na França houve - no período das eleições presidenciais - um crescimento grande da ultraesquerda, que chegou a ter mais votos do que o Partido Comunista, que é tradicional lá. Os socialistas foram amplamente derrotados devido ao governo. No fi m, a vitória foi das forças de direita no segundo turno. O grande problema é esse. Em situações como essa, a água caminha para o moinho das forças tradicionais e conservadoras.

IMPRENSA - Como o sr.avalia a cobertura da grande imprensa sobre a crise?
RABELO -
Eu não posso dizer que seja exemplar. Tem havido muito excesso. Muito calor e pouca luz. Açodamentos, tentativas de préjulgamentos.. Não quer dizer que é de toda a imprensa, mas acaba prevalecendo isso. A imprensa pode até rebaixar o papel dela se cair nesses exageros.

PCdoB
O Partido Comunista do Brasil (PCB) foi fundado em 1922 e é presidido por Renato Rabelo. No . nal dos anos 40,o partido foi cassado pelo TSE e só retornou à legalidade 38 anos depois,com m da ditadura.
De volta à disputa eleitoral,o PCdoB elegeu 5 constituintes na votação de 1986.
Durante os oito anos de gover no do PSDB foi ferrenho opositor e defendeu o "Fora FHC!".
A política de alianças eleitorais entre o PCdoB e o PT nas disputas presi denciais ocorreu desde 1989,quando foi formada a Frente Brasil Popular. Representação parlamentar: 12 prefeitos eleitos,11 deputados federais,17 deputados estaduais e 281 vereadores.
Atualmente o partido tem cerca de 200 mil . liados em todo o país. O PCdoB defende hoje,dentre ou tras propostas,a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; criação do Fundo de Manutenção de Desenvolvimento da Educação Básica (ampliação do atual Fundef) e a expropriação de terras em caso de condenação do proprietário por prática de trabalho escravo.
Nas eleições de 2004,o PCdoB conquistou seus melhores resul tados no sudoeste,com cerca de 552 mil votos.
Na executiva do atual gover no,o partido possui a cadeira do ministério dos esportes,com Agnelo Queiróz.
O partido ainda não tem uma definição a respeito de manter ou não o apoio ao PT nas pró ximas eleições ou lançar um candidato próprio.
O PCdoB é a favor da proibição das armas.

Serviço:
Partido Comunista do Brasil
Al.Sarutaiá,185,Jd.Paulista,
São Paulo/SP,CEP 01403010
Tel.:(11)30541800
Fax:30517738
www.pcdob.org.br