Humorista Bruno Motta fala de sua estreia no "JR News"

Humorista Bruno Motta fala de sua estreia no "JR News"

Atualizado em 23/05/2011 às 18:05, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Por O telejornal "JR News", que estreia nesta segunda-feira (23), já seria digno da atenção dos telespectadores pela volta do jornalista Heródoto Barbeiro e os dez comentaristas escaldos. No entanto, o fato que promete roubar a cena é a participação do humorista Bruno Motta, na bancada.
Escalado para fazer aquilo que "os telespectadores já fazem em sua casa" - palavras do próprio -, Motta adicionará às notícias um toque de humor.
A atuação do humorista se alinha ao que Douglas Tavolaro - vice-presidente de jornalismo da Record - propôs ao formato do "JR News". "Que tenha repórteres menos parecidos com robôs, e mais com pessoas". "Com gente como a gente", arrematou.
Divulgação
Bruno Motta
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Bruno Motta fala do desafio de se colocar de forma eficiente em um cenário formado por jornalistas de renome, como Ricardo Kotscho, Cosme Rímoli, Daniel Castro etc.
Trata também da onda do "politicamente-correto", que ganhou corpo nas redes sociais nos últimos tempos, e da contradição da personalidade do brasileiro desmemoriado. Aqueke que exigiu liberdade durante a ditadura militar, mas hoje não sabe proceder quando munido dela.
Portal IMPRENSA - Como você recebeu o convite?
Bruno Motta - "Eu sou o ícone do que eles estão pretendendo. Eu me senti muito bem-vindo no momento em que eu cheguei. Cheguei lá, e o Ricardo Kotscho me falou: 'ah, isso mesmo, que bom; um humorista entre a gente'.
IMPRENSA - Sentiu-se intimidado?
Motta - Eu pensei: será que eles sabem o que eles querem? Porque é muito comum um programa ter uma ideia e ser outra coisa depois, sabe?"
IMPRENSA - E como eles te pautaram?
Motta - Ah, como eu disse, o convite foi muito bem feito. Eles falaram tudo aquilo o que um contratado quer ouvir: 'Nós estamos trazendo você pelo o que você faz, para fazer o que você já faz. Nós não queríamos ninguém diferente.
E é natural, porque eu gosto dessa matéria prima [notícias]. Nos vídeos que eu faço semanalmente, no Youtube, a matéria prima já é a notícia. Então, eles sabiam o que estavam contratando. E tinha um espaço para eu fazer isso [humor].
Não vou fazer nada diferente, nem malabarismo. E eu que vou escolher as matérias. Tenho total liberdade lá. Eles falaram asism: "Oh, fala sobre o que você quiser", e eu pensei : 'caramba!'
IMPRENSA - Como é trabalhar com grandes nomes do jornalismo?
Motta - Imagina eu, que sou um peixe fora d´agua, no meio de um monte de "prêmios Esso". Gente que trata realmente a imprensa a sério, com respeito, ética. Mas essa foi uma novidade muito bem recebida por eles.
IMPRENSA - É o maior desafio da sua carreira?
Motta - O mais divertido, é que eu percebi que eu não sou o maior desafiado. É muito emblemático o mercado dizer: "Olha, nós estamos trazendo até um humorista", mas, para mim, é mais um palco. Eu já faço isso há anos. Faço isso na TV, na Internet...
O Daniel Castro, por exemplo, se sentiu muito desafio, porque não está acostumado a colocar a cara no vídeo. O Kotscho já teve alguma experiência com vídeo, mas é a primeira vez que ele senta na bancada para falar. Então eu percebi que eu nem sou o mais desafiado de todos.
IMPRENSA - Foi uma evolução do humor em relação ao jornalismo? O jornalismo aceitou o humor finalmente?
Motta - Foi uma evolução dos dois lados. Uma evolução do jornalismo e, também, do humor. Mais um ponto do humor, no sentido de "chega de censura". Que chatice. As pessoas estão revoltadas com as pessoas erradas. O Brasil anda tão misturado que as pessoas estão confundindo o mensageiro com a mensagem.
IMPRENSA - Então você acha quero país está muito chato?
Motta - Tá! A gente, o "CQC", o "Casseta" abrimos as portas. Mas não pode passar por essa trava do 'politicamente correto'. Foi sem graça a piada? Ok. Mas você não pode processar a pessoa porque ela foi sem graça, concorda?
IMPRENSA - É estranho, um país que já sofreu com a ditadura, ser tão afeito a esse tipo de comportamento?
Motta - O brasileiro que lutou tanto pela liberdade...que queria isso, agora já não quer, sabe? As pessoas estão confundindo o que é liberdade. Pensam na liberdade, mas que ela deve ter limite. NÃO! Não tem liberdade com limite! Tem que ter liberdade de verdade. "Ah, mas e o bom-senso?", isso é uma coisa particular, e se a pessoa não tem bom-senso, você não manda prender.
IMPRENSA - Você teme que essa experiência não seja bem-sucedida?
Motta - Eu sou um cara que tem algum bom-senso. Eu sou mineiro (risos), eu tenho um jeito 'mineiro' de fazer as piadas, entende? Então, não sabemos exatamente o que vai acontecer. Eu até brinquei, 'nossa, será que nós seremos os próximos [a gerar polêmica]?'. Mas eu não vou ficar com medo de dizer o que penso, não. Eu quero que as pessoas prestem mais atenção na mensagem, no final de tudo.
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