"Houve ameaças de um dos assessores do FHC", diz Palmério Dória sobre seu novo livro

Após longos anos de apuração, o tom impresso nas 400 páginas de "O Príncipe da Privataria" aborda as polêmicas dos dois mandatos de FernandoHenrique Cardoso, marcados por escândalos e revelações.

Atualizado em 06/09/2013 às 16:09, por Alana Rodrigues*.

as 400 páginas de "O Príncipe da Privataria" abordam as principais polêmicas dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, marcados por escândalos e revelações.


Crédito:Divulgação Obra traz principais polêmicas dos governos FHC


O livro, lançado na última sexta-feira (30/8), destaca a compra de votos que possibilitou a aprovação no Congresso Nacional, em 1997, da emenda constitucional que garantiu a reeleição de FHC no ano seguinte e conta quem foi o "Senhor X", personagem criado pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo , na série de reportagens que revelou o esquema de compra de votos dirigido pelo ex-ministro da Comunicação, Sérgio Mota. A obra traz depoimento inédito do ex-deputado pelo PP do Acre, Narciso Mendes, que admitiu ser a misteriosa fonte das matérias.


"Ele sempre quis falar, mas nunca quiseram ouvi-lo. Narciso aparece nas gravações do Fernando Rodrigues na época da tal compra de votos. Ele é um segredo polichinelo, na verdade", conta Palmério Dória. "Aconteceu que, com sérios problemas de saúde, ele não queria morrer sem contar essa história", acrescenta.


Crédito:Divulgação Obra quase foi embargada por assessor do ex-presidente

O jornalista diz que, desde 2000, período em que integrou a equipe de Caros Amigos , publicação que revelou a existência de um suposto filho do ex-presidente com uma jornalista da TV Globo (recentemente colocada em dúvida por um exame de DNA), ele deu início a uma "apuração mais sistemática".


Segundo Dória, a impressão da obra foi mantida em sigilo. Ele conta que sofreu ameaças do assessor de Fernando Henrique. "De vez em quando aparecia alguma nota na imprensa e nós ficávamos apavorados porque as editoras são frágeis, qualquer um pode apresentar embargo".


Para evitar a proibição da obra, o autor e a Geração Editorial tiveram uma reunião com alguns blogueiros, aos quais entregam os originais do livro. "Pedimos que eles guardassem segredo por duas semanas. Eram quase dez e todos mantiveram silêncio", comenta.


No entanto, isso não impediu que Fernando Henrique Cardoso tentasse vetar o livro. "Houve ameaças partidas de um dos assessores do FHC, Xico Graziano. Ele pediu, primeiramente, que eu suspendesse a publicação do livro e depois ameaçou com medidas legais".


Palmério destaca a blindagem da mídia diante não só das revelações do suposto filho de FHC, o qual considera outro “segredo de polichinelo”, como também a postura que apresentou encarando o governo Fernando Henrique como “Fernando Henrique dois”.


O jornalista diz que as críticas eram, no máximo, pontuais e que trataram como uma briga de tucanos ou dos opositores da privatização, não como um caso sério de venda de patrimônio financiados com sócios. “Foram anos de governo ou desgoverno dessa turma”, conclui ele.


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.


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