Homenagem a Vladimir Herzog termina com estudante de comunicação preso em São Paulo

Homenagem a Vladimir Herzog termina com estudante de comunicação preso em São Paulo

Atualizado em 25/10/2004 às 20:10, por Renata Toledo Piza.


Fotos: Antonio Milena - ABr

No último dia 18, como parte das atividades da Semana Nacional pela Democratização dos Meios de Comunicação, cerca de 40 universitários reuniram-se na avenida Jornalista Roberto Marinho, ex-Água Espraiada, em manifestação organizada pelas entidades Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) e CMI Brasil (Centro de Mídia Independente) contra o re-batismo da avenida.

O estudante Pedro Malavolta, da ECA/USP, conta que os manifestantes prepararam adesivos azuis impressos com o nome do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 sob custódia do Exército, para serem colados sobre a inscrição "Roberto Marinho". "Fizemos esse ato simbólico para registrar nossa discordância na mudança do nome Água Espraiada para o de alguém que esteve diretamente ligado à Ditadura Militar", explica o Malavolta. "Achamos interessante colocar o nome de Herzog, já que ele lutou contra a repressão e, quando morreu nos porões do regime, trabalhava na Cultura, uma TV pública que brigava abertamente contra a opressão", explica.

Os estudantes conseguiram colar o adesivo em quatro placas. Na quinta, policiais militares abordaram os manifestantes afirmando que eles estariam danificando o patrimônio público. "Mas esses adesivos são fáceis de retirar e não danificaram as placas", afirma Malavolta.

Quando o estudante Pablo Ortelar tentava colar o nome de Herzog na sexta placa, um dos guardas da PM - que já somava uma base móvel, dois carros da Força Tática, duas Pickups e quatro motos - puxou a escada em que ele estava. "O Pablo ficou pendurado na placa. Eu estava embaixo e dei apoio para ele descer", conta Malavolta. Segundo ele, além de outros manifestantes, Pablo apanhou, foi algemado e levado para a 96ª DP.