Homem que alegou reconhecer Campos diz que foi "pressionado a responder” à imprensa

O estivador Donizete Machado Júnior afirmou ter reconhecido Eduardo Campos logo após sua morte. Hoje, ele diz que “fantasiou” o encontro.

Atualizado em 19/08/2014 às 13:08, por Redação Portal IMPRENSA.

A pressa pela exclusividade pela informação deu ao estivador Donizete Machado Júnior, conhecido como "Maguila", a oportunidade de se promover nos mais diversos veículos de comunicação do país. Durante a cobertura sobre a morte do presidenciável Eduardo Campos e de mais seis pessoas em acidente aéreo no litoral paulista na última quarta-feira (13/8), o homem se passou por testemunha e concedeu entrevista ao jornalista José Roberto Burnier, da Rede Globo, visivelmente emocionado, ao dizer que havia auxiliado no resgate dos feridos. À Folha de S.Paulo , ele também garantiu ter reconhecido o político.
Crédito:Reprodução Portuário diz que foi "pressionado" a inventar contato com Eduardo Campos
Segundo o jornal, Maguila é ex-pugilista e detentor de peso médio-ligeiro em um torneio de boxe amador e trabalha em portos desde 1997. Por conta da aparição na televisão, ele já desfruta de uma certa popularidade. Ao jornalista José Marques, ele exibiu uma montagem do pôster do filme "Forrest Gump: O Contador de Histórias" com sua foto. "Olha só, acabaram de fazer essa montagem com a minha cara", disse, acrescentando: "É o dia todo agora. Virei meme na internet".
Alvo de ataques redes sociais, o estivador conta que saía do trabalho quando presenciou a queda da aeronave. Enquanto os bombeiros faziam os trâmites de apuração do acidente, ele dizia à imprensa ter reconhecido o corpo do pessebista entre as vítimas. "Eu vi o corpo do Eduardo Campos. Eu vi os olhos claros dele e cheguei a limpar o rosto dele", afirmou. Ao telejornal da Globo, o homem disse que foi uma cena lamentável. "Uma cena muito triste”, reiterou.
Questionado por Burnier, ele aparentava estar convicto no que dizia e mais uma vez retificou que reconheceu o candidato entre os mortos. A suposta testemunha ainda afirmou ser eleitor do candidato. Porém, pouco tempo depois as informações oficiais sobre o caso certificou que nenhuma vítima poderia ser reconhecida visualmente. Em razão do impacto e da explosão da aeronave, os corpos ficaram dilacerados e carbonizados.

Morador de São Vicente, cidade litorânea de Santos, Maguila voltou atrás nas declarações sobre a morte do presidenciável após a repercussão da entrevista. Desde o último domingo (17/8), ele tem postado "comunicados de retratação" em seu perfil no Facebook. "Eu fantasiei aquilo. Fui pressionado a responder. Todo mundo ali, menos a imprensa, sabia que ninguém havia sobrevivido na queda. [Quando questionado,] A primeira coisa que pensei foi nos olhinhos dele", disse à Folha .
Uma ação movida por ele contra uma empresa portuária em que trabalhou durante 30 dias também teria sido prejudicada pelas declarações à imprensa. "Eu estava lá para tentar ajudar. É bom que eu deixe isso claro. Não fui me aproveitar da situação", disse ele, ao comentar o posicionamento de internautas contra a sua pessoa.

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