"Hoje tenho muito mais esperança do que ontem à noite", diz jornalista Maria Ressa sobre absolvição na Justiça filipina

Ganhadora em 2021, junto com o colega russo Dmitri Muratov, do Prêmio Nobel da Paz por sua defesa da liberdade de imprensa, a jornalista filipina Maria Ressa foi absolvida nesta quarta-feira (18 jan/23) de quatro acusações de evasão fiscal.

Atualizado em 18/01/2023 às 17:01, por Redação Portal IMPRENSA.


Símbolo internacional da luta em prol do jornalismo, Ressa, que é editora e fundadora do site de notícias Rappler, ainda enfrenta três processos judiciais que podem levá-la à prisão ou ao fechamento do veículo. Crédito: Reprodução As acusações são atribuídas à cobertura crítica feita pelo Rappler do governo do ex-presidente Rodrigo Duterte, em especial de sua política de assassinatos extrajudiciais de traficantes e usuários de drogas, que causou milhares de mortes nas Filipinas.
Difamação cibernética

Os problemas de Ressa com a Justiça começaram logo após a eleição de Duterte, em 2016. Nos momentos de maior assédio judicial, havia a perspectiva de invasão policial à redação do Rappler. Em 2018, a agência reguladora da mídia filipina chegou a determinar o fechamento do veículo, cuja equipe reúne 120 profissionais. Em 2020, a jornalista foi condenada à prisão por difamação cibernética. Sua liberdade foi concedida mediante pagamento de fiança
Embora a perseguição tenha dado sinais de arrefecimento diante da pressão internacional e do fim do mandato de Duterte, o novo presidente filipino, Ferdinand Marcos, que foi eleito no ano passado, não seria 100% favorável ao livre trabalho da imprensa.
Além do assédio judicial, a jornalista, que tem passaporte americano mas nega-se a deixar as Filipinas para evitar uma eventual prisão, enfrentou uma onda de ataques e ameaças de morte pela internet.