"Hoje o esporte paraolímpico é de alto rendimento", defende Renato Peters

Há poucos meses do início dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, que começam em 7 de setembro, debate-se se a imprensa brasileira está preparada para cobrir com a mesma intensidade e dedicação a competição do paradesporto.

Atualizado em 16/06/2016 às 14:06, por Vanessa Gonçalves.

dos , que começam em 7 de setembro, debate-se se a imprensa brasileira está preparada para cobrir com a mesma intensidade e dedicação a competição do paradesporto.

Para discutir o assunto, IMPRENSA realiza no próximo dia 24 de junho, em parceria com o curso de Jornalismo da ESPM de São Paulo, o O evento, que será transmitido ao vivo, a partir das 15h, tem como objetivo capacitar profissionais da editoria de esportes para a cobertura dos Jogos e entender os desafios em cada etapa.

Crédito:Divulgação Renato Peter, repórter da TV Globo
Debaterão sobre o assunto jornalistas, especialistas e personalidades. Entre os convidados, está o repórter Renato Peters, da TV Globo, que participará do painel "O Brasil no contexto do paradesporto mundial", ao lado de Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Neste painel, os convidados comentarão sobre as potências mundiais no esporte paraolímpico, as razões para o crescimento do sucesso dos paratletas brasileiros, e como a mídia pode incrementar a sua cobertura e divulgação.

Para Renato Peters, ainda é difícil apontar um ou mais motivos para o fato de os esportes e atletas paraolímpicos não terem tanto destaque na mídia brasileira. Entretanto, acredita que trata-se de uma modalidade que ainda está ganhando espaço, uma vez que a primeira transmissão de um evento de paradesporto tenha acontecido apenas em 2004, ou seja, 12 anos atrás. "As pessoas ainda estão se acostumando com o que é diferente. O diferente ainda choca as pessoas, mas é um caminho que não tem mais volta. Logo, logo teremos nos esportes paralímpicos o mesmo nível de acompanhamento dos esportes convencionais", acredita.

O repórter da TV Globo ainda afirma que a imprensa brasileira tem grande responsabilidade e deve estar preparada para cobrir os Jogos Paralímpicos Rio 2016 por dois motivos: trata-se de um evento realizado no país e de atletas de alto rendimento, que merecem a devida atenção. "Hoje o esporte paraolímpico é de alto rendimento, briga por medalhas, tem patrocinador e dinheiro envolvidos", ressalta.

Apesar desta questão estratégica, Peters defende que os jornalistas não poderão deixar de lado o fato de que esses atletas "são pessoas com histórias de vida marcadas por alguma deficiência ou por algum acidente" e, apesar de serem profissionais de alto rendimento, é essencial destacar o lado humano. "Muitos atletas, principalmente os brasileiros, vieram de situações muito pobres. Não tem como você dissociar o garoto que a vida inteira não teve nenhuma chance e que de repente chega aos Jogos Olímpicos. A mesma coisa serve para os atletas paraolímpicos, guardadas as devidas proporções", reflete.

Sobre o impacto da realização dos Jogos no Brasil, o repórter confia que logo no primeiro dia de competição ou na conquista da primeira medalha os torcedores se renderão ao torneio. "O esporte paralímpicos brasileiro é uma potência mundial e o brasileiro adora ganhar. Acho que essas duas coisas vão se juntar e vamos ter durante os Jogos uma mobilização muito grande".

O único porém de Renato sobre o evento realizado no Brasil é a questão da infra-estrutura da cidade-sede. "As instalações olímpicas, com certeza, estarão adaptadas. Minha maior preocupação é que os Jogos Paralímpicos trarão muitos turistas e, muitas dessas pessoas têm deficiências. E, sinceramente, não sei se toda a cidade do Rio de Janeiro está acessível às pessoas".

Para ele, está na hora de a sociedade brasileira começar a pensar um pouco nas condições oferecidas aos deficientes. "Infelizmente, ainda estamos muito aquém nessas questões nas cidades".

Peters defende que o preconceito fique de lado e que as pessoas passem a encarar os deficientes sem olhar as diferenças de forma negativa. "Acho que existe muito preconceito. Muitos não querem encarar uma pessoa que não tem uma perna, um braço, que não tem mobilidade ou usa uma cadeira de rodas. Acho que temos de olhar muito mais para o outro, independentemente de ser atleta ou não, mas ver que a pessoa com deficiência tem o direito de ir e vir, como todos nós. Temos que evoluir muito nessa questão. As pessoas com deficiência precisam ser olhadas não como alguém diferente ou que destoe da normalidade", conclui.



Serviço:

Fórum Online Cobertura Paraolímpica – conteúdo e treinamento

24 de junho, a partir das 15h

Transmissão ao vivo pelo Portal IMPRENSA

Inscrição gratuita e informações pelo site: