Hoje leitor, amanhã eleitor
Hoje leitor, amanhã eleitor
Em recente entrevista à revista Veja , o jornalista e escritor Gay Talese falou sobre a delicada relação que imprensa e governo mantêm nos EUA. Para Talese, existe uma simples, porém indigna, constatação: jornalista ama o poder e ama lidar com o poder. "O governo usa a imprensa mais do que a imprensa usa o governo. Hoje devemos ter uns 10 mil repórteres em Washington. (...) Se eu dirigisse um jornal, eliminaria de 50% a 60% da sucursal de Washington e mandaria os repórteres para outros lugares do país. Sabe o que aconteceria? Estaríamos tirando a ênfase sobre o governo e neutralizando sua capacidade de controlar o discurso político", afirmou. Trocando Washington por Brasília, o panorama apresentado por Talese poderia ser facilmente confundido com o do Congresso Nacional.
De fato, acompanhar a cobertura de Brasília é assistir, basicamente, a uma peleja entre governo e oposição. A pauta no Planalto Central tem seus nuances. Agora, por exemplo, além do prematuro debate eleitoral, discutem-se temas como crise econômica, PAC, CPI das ONGs, CPI da Petrobras, blog da Petrobras, reforma eleitoral, crise no legislativo, atos secretos no Senado, etc. Todos interessantes e merecedores de destaque, mas sempre tratados pela média da imprensa dentro da ótica rasa de oposição contra governo, no velho esquete maniqueísta que nada mais é do que a busca desenfreada por poder. O jogo de forças entre os presidenciáveis ganha, dessa forma, contornos letárgicos na imprensa, que vai acompanhando diuturnamente a evolução desse embate. Ainda que não admitam com todas as letras, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), são os dois principais concorrentes por esse lugar aos holofotes e seus movimentos têm sido acompanhados e propagados incansavelmente pela mídia.
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