Herdeiras de Leminski dizem que biografias proibidas infringem intimidade da família

Áurea e Estrela Leminski, filhas do poeta curitibano Paulo Leminski, e Alice Ruiz, viúva dele, divulgaram na última quinta-feira (17/10) um comunicado sobre a reedição do livro “O Bandido que sabia Latim”, de Toninho Vaz, e “Passeando por Paulo Leminski”, de Domingos Pellegrini, biografias vetadas para publicação, segundo os autores, porque a família não autorizou.

Atualizado em 18/10/2013 às 10:10, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Divulgação Em nota, herdeiras do poeta explicam porque vetaram biografias


De acordo com o G1, conforme o texto divulgado pela família do poeta, inicialmente, ambas as obras foram ofertadas por elas próprias. As herdeiras dizem que não houve qualquer ação judicial para proibir a publicação, mas apenas comunicados às editoras. Entretanto, a nota diz que as biografias "violam a intimidade e honra do poeta, bem como da própria família, direitos personalíssimos assegurados constitucionalmente”.


“O Bandido que sabia Latim” teve a quarta edição vetada após as herdeiras entrarem em contato com a editora Nossa Cultura, responsável pela nova versão, impedindo a publicação do livro. Segundo a família, Toninho Vaz não possuía mais autorização já que se desentendeu com a editora dos anteriores [Record], causando o rompimento de contrato.


"O ‘novo trecho’ tratava do detalhamento das condições da morte [suicídio] do irmão de Paulo, Pedro Leminski, fato que, acreditamos, não contribui para elucidar a personalidade e obra do biografado. Além disto, não concordamos com a atitude de explorar fatos trágicos", justificaram.


Vaz, no entanto, assegura que a primeira versão já relatava o suicídio de Pedro e apenas oito linhas descritas por um rapaz que o procurou após a publicação da primeira edição foram acrescentadas. Ele relata que nunca foi informado pela família de que não podia alterar a versão.


O escritor afirma que vai procurar a Justiça para resolver a situação e se define como "herdeiro" do poeta. "Meu livro tem muito da personalidade dele. Foi ele quem me ensinou a escrever. O estilo que tenho veio do próprio Leminski. Ele que me dizia sempre: 'Não me venha com título frouxo'. É esquizofrênico dizer que a minha obra fere a imagem dele", acrescenta.


Domingos Pellegrini, amigo de Leminski por quase 17 anos, foi convidado pelas herdeiras para produzir uma nova biografia. Ele aceitou, mas "recuou e rompeu o acordo com a editora", ponderam as herdeiras. Ele decidiu escrever um livro de memórias em que relata momentos com o amigo e enviou os originais da obra para vários e-mails na última quarta-feira (17/10).


"Nossa ‘relativa’ demora em responder Pellegrini sobre a obra recebida fez com que ele nos ameaçasse causando um constrangimento e, ao único movimento que Alice fez para conversar sobre o livro, Pellegrini não respondeu", ressalta o comunicado. O autor disse que o livro “é uma forma de homenagear o amigo”. Segundo ele, “o objetivo deles é fazer uma biografia chapa-branca, coisa que o Paulo nunca foi. Por isso, recusei a proposta”.


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