“Há uma sensação de frustração que antecede a cobertura eleitoral”, diz diretor do UOL

Com a proximidade das eleições em outubro deste ano, os veículos de comunicação voltam sua cobertura ao tema. Para Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do UOL, a sensação que antecede esse processo é a de frustração.

Atualizado em 26/07/2014 às 15:07, por Gabriela Ferigato.

“Há esse sentimento de que não vamos entregar um bom trabalho, dado o número de candidatos, municípios e estados, e a complexidade de todo esse processo”, destacou durante o 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Crédito:Alf Ribeiro Rodrigo Flores é diretor de conteúdo do UOL No painel “Em tempo real: cobertura de eleições em portais”, realizado na última sexta-feira (25/7), em São Paulo, Flores afirmou que comício é coisa do passado. “Hoje as eleições se decidem pelo horário eleitoral. O que vocês assistem pela televisão não é campanha. É apenas uma imagem montada para dar uma sensação de presença popular dos candidatos”, completou.
Outro ponto destacado pelo jornalista é a importância das redes sociais e o intenso monitoramento das campanhas. “É um belíssimo termômetro para os políticos, e também para quem cobre as eleições. Recentemente, uma das campanhas se dizia bastante otimista porque o seu candidato tinha um número x de menções, sem entrar no mérito se era positiva ou negativa”.
Segundo ele, desde sempre o foco das coberturas tem sido nos candidatos a presidência, enquanto o governador passa “em brancas nuvens”. “É curioso que os principais temas levantados pelos leitores dizem respeito aos governadores”, completou.
Visibilidade

Durante as eleições, todos os veículos que operam com concessão têm o dever de chamar todos os candidatos para os debates. Flores explica que, com isso, em um debate de 70 minutos, cada político fica com oito. Para diminuir o número de candidatos, alguns veículos tentam negociar contrapartidas com os menores. “Partidos como o PV, por exemplo, aceitam esse acordo. O PSOL já não”.
O jornalista destacou ainda o avanço do sistema eleitoral no Brasil em relação à outros países “Temos acesso a cada voto, de cada urna, no momento em que é computado. A apuração é cada vez mais rápida. Nós pré-programamos algumas análises e avaliações. É possível saber quem vai governar os municípios mais populosos. Conforme os números vão chegando, já geramos gráficos”. Em relação às oportunidades para a cobertura, Flores destacou a Lei de Transparência, o jornalismo de dados, a pesquisa e sondagens em tempo real.
De acordo com Hélio Gomes, diretor de conteúdo do Terra, a premissa principal do portal é fazer uma cobertura 100% neutra e global. “Temos uma assessoria muito grande na parte jurídica. É necessário olhar para vários níveis de disputa, mas temos foco total na presidencial”.
Para isso, de uma equipe formada por 150 pessoas, 50 serão destacadas para a cobertura presidencial, além de uma rede de correspondentes. A força tarefa começará no dia 4 de agosto. As redações, localizadas em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), estarão focadas no relacionamento com as cabeças da campanha e na edição do material.
“Nomes como Bob Fernandes e Marcelo Cidrão vão investir muito em exclusivas. Não vamos entrar nos debates com força. Para que fazer mais do mesmo? A voz rouca das ruas é a voz rouca das mídias sociais”, finalizou Hélio.