“Há um grande desconhecimento da mídia”, diz jornalista sobre a cobertura do Ramadã

O mês sagrado do Ramadã, período no qual a população muçulmana para comemorar asrevelações do Alcorão passa o dia todo em jejum, terminou nesta sexta-feira (17/7).

Atualizado em 17/07/2015 às 11:07, por Matheus Narcizo*.

período no qual a população muçulmana para comemorar as revelações do Alcorão passa o dia todo em jejum, terminou nesta sexta-feira (17/7). À IMPRENSA, Diogo Bercito, colunista do blog Orientalíssimo, da Folha de S.Paulo , falou da cobertura da imprensa brasileira sobre o Ramadã e a falta de conhecimento de alguns veículos a respeito da cultura islamita.
Crédito:Wikimedia commons Jornalista vê falta de interesse da imprensa em falar do Ramadã
Para Bercito, não há uma cobertura específica sobre o período sagrado do Islã. A impressão, segundo ele, é que o assunto não chega à imprensa muito por um forte preconceito dos jornalistas que, por falta de conhecimento, acabam por generalizar muçulmanos e terroristas.

“Para mim, ainda existe bastante desconhecimento na mídia brasileira quanto ao Islã. Isso eventualmente leva a posturas preconceituosas. Há no Brasil a expressão de que fulano é ‘radical xiita’, para dizer ‘extremo’. Esse tipo de desinformação ajuda a criar uma imagem negativa de muçulmanos como pessoas propensas a serem fundamentalistas, violentas e irracionais”, comentou.

O jornalista, que dedica seu mestrado ao estudo árabe e islâmico, acredita que para uma boa cobertura jornalística é preciso conhecer bastante do assunto. “Nosso trabalho como jornalistas tem a ver com desmontar essas imagens criadas. Mostrar que não apenas a maioria dos muçulmanos é pacífica como, no final, é prejudicada pelas ações de organizações radicais como o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Afinal, só conseguimos informar se estivermos informados”, conclui.