“Há muitos humanos produzindo como robôs em redações”, afirma jornalista Sérgio Lüdtke

Recentemente, o professor de mídia e comunicações da Karlstad University, na Suécia, Christer Clerwall, decidiu fazer um teste com seus alun

Atualizado em 03/02/2015 às 09:02, por Gabriela Ferigato.

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os de jornalismo. Com duas notas diferentes em mãos, ambas sobre um jogo de futebol americano, pediu para que os estudantes avaliassem a qualidade e credibilidade dos textos, utilizando 12 expressões.
A primeira ganhou avaliações como "bem escrito" e "claro", além de "agradável de ler". Já a segunda, ganhou nos quesitos "descritivo", "informativo", "preciso", "confiável" e "objetivo". Por ora, tudo certo. Acontece que a segunda notícia não foi escrita por um jornalista, e sim por um software.
Em entrevista ao portal Wired, Clerwall afirmou: "estou bastante certo de que em um futuro não tão distante, mais conteúdo jornalístico provavelmente será produzido por computadores". Experimentos como esse causaram certo furor no mercado de comunicação.
Para o jornalista Sérgio Lüdtke, coordenador do Programa Avançado em Jornalismo Digital do IICS, o uso de um robô para garimpar informações relevantes e inseri-las numa página com o texto pré-formado para ganhar agilidade é absolutamente legítimo, desde que haja monitoração ou uma etapa de verificação antes que a informação seja divulgada.
Crédito:Divulgação Sérgio Lüdtke, coordenador do Programa Avançado em Jornalismo Digital do IICS

“Um dos grandes desafios do jornalismo depois da popularização das redes sociais na internet é a agilidade na publicação das notícias. No jornalismo digital, a agilidade - desde que respeitadas as etapas de apuração - é fundamental. Essa exigência, no entanto, chega numa hora em que as redações são menores, produzem conteúdos para mais de uma plataforma e durante 24 horas, sete dias por semana”, destaca.
Um algoritmo chamado Quakebot, escrito pelo jornalista e programador Ken Schwencke, do jornal Los Angeles Times , foi o primeiro a gerar uma notícia sobre um terremoto que atingiu Los Angeles no mês de março deste ano. Com o texto pronto, Schwencke leu a nota e apenas apertou o botão publicar.
“O texto deixa claro que se trata de informação coletada por um robô e, quem conhece um pouco de internet, sabe que normalmente os templates registram o crédito para quem efetivamente fez a publicação. Não vejo um dilema ético nesse caso, mas ainda é cedo para dizer que essas questões não irão aparecer”, pontua.
Lüdtke destaca que o jornalista já está acostumado a levar ao leitor informações baseadas em dados capturados por robôs, como resultados de eleições e de competições esportivas. “O robô é um algoritmo muito familiar e há muitos humanos produzindo como robôs nas nossas redações”, finaliza.
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