Há dez anos, TCC discutia papel do jornalismo impresso na era do online
Em 2007, Valéria Sinésio defendeu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), seu trabalho de conclusão de curso com um tema novo: "Impr
Atualizado em 06/09/2017 às 14:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito: Arquivo pessoal
Em 2007, Valéria Sinésio defendeu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), seu trabalho de conclusão de curso com um tema novo: "Impresso ou eletrônico? A perspectiva do jornal impresso na era do jornalismo online". O hábito de comprar e ler jornais fez a estudante se interessar por uma discussão que despontava na mesma velocidade em que surgiam os portais de notícias.
“Mal sabia que a escolha feita lá atrás seria tão importante e atual. Em 2009, fui trabalhar em um dos jornais impressos de João Pessoa, o Jornal da Paraíba. Enquanto eu vivia essa experiência, na sala ao lado o portal de notícias do grupo despontava. Diariamente, passei a comparar o assunto estudado durante o TCC e a realidade tão perto de mim”, lembra Valéria.
A jornalista se recorda dos principais desafios durante o processo do TCC. “Tive o privilégio de ser orientada por uma professora muito competente e dedicada, Olga Tavares, que durante a fase de pesquisa me conduziu para uma busca mais profunda da teoria. Mas os desafios foram muitos. Desde a procura por livros (a maioria tive que comprar porque não havia na biblioteca da UFPB), passando pela falta de intimidade com as normas ABNT aos problemas técnicos com o computador de casa, que quebrou duas vezes”, afirma.
Valéria se lembra da pressão da banca ao apresentar o trabalho. “Uma das professoras criticou duramente meu trabalho ao afirmar que o jornal impresso não perderia espaço para o online. Na avaliação dela, naquela época, um complementaria o outro”, diz.
Em 2016, contrariando o que disse a professora, o jornal em que Valeria trabalhava encerrou a versão impressa, ficando apenas com o online. “Passados dez anos, eu considero que o meu TCC continua me ensinando uma lição a cada dia. Senti na pele a realidade. Testemunhei um jornal de 45 anos fechar as portas”, afirma.
Ainda segundo Valéria, a perspectiva do impresso é, no máximo, complementar o online. “No formato em que o impresso insiste em manter, não tenho boas perspectivas de permanência ou crescimento”, vaticina.
Ainda sob sua ótica, o jornalismo online também tem seus desafios, sobretudo em tempos de redes sociais. “Diferentemente do que muitos falam, acredito que é possível fazer jornalismo de qualidade na internet. Vai depender da qualidade do jornalista, da postura da empresa e da exigência do público”, aponta.
Para os estudantes que estão na fase de definição de tema para o TCC, a orientação da jornalista é que busquem um assunto que realmente tenham interesse. “Sem esse envolvimento pessoal com o tema, há o risco de se perder no meio do caminho e o resultado não ser o esperado”, defende.
No ano passado, Valéria concluiu o mestrado profissional em jornalismo, também pela UFPB, e continuou estudando o jornal impresso, mas sobre outra vertente – a da invisibilidade das vítimas na cobertura policial.
*Você quer prestar uma homenagem ao seu Orientador de TCC? Indique ele para concorrer ao Professor IMPRENSA , projeto que reconhece os professores de Comunicação mais inspiradores do Brasil. Acesse www.portalimprensa.com.br/professorimprensa
Saiba mais: Clássico "Bavi" é tema de TCC de jornalismo
Em 2007, Valéria Sinésio defendeu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), seu trabalho de conclusão de curso com um tema novo: "Impresso ou eletrônico? A perspectiva do jornal impresso na era do jornalismo online". O hábito de comprar e ler jornais fez a estudante se interessar por uma discussão que despontava na mesma velocidade em que surgiam os portais de notícias.
“Mal sabia que a escolha feita lá atrás seria tão importante e atual. Em 2009, fui trabalhar em um dos jornais impressos de João Pessoa, o Jornal da Paraíba. Enquanto eu vivia essa experiência, na sala ao lado o portal de notícias do grupo despontava. Diariamente, passei a comparar o assunto estudado durante o TCC e a realidade tão perto de mim”, lembra Valéria.
A jornalista se recorda dos principais desafios durante o processo do TCC. “Tive o privilégio de ser orientada por uma professora muito competente e dedicada, Olga Tavares, que durante a fase de pesquisa me conduziu para uma busca mais profunda da teoria. Mas os desafios foram muitos. Desde a procura por livros (a maioria tive que comprar porque não havia na biblioteca da UFPB), passando pela falta de intimidade com as normas ABNT aos problemas técnicos com o computador de casa, que quebrou duas vezes”, afirma.
Valéria se lembra da pressão da banca ao apresentar o trabalho. “Uma das professoras criticou duramente meu trabalho ao afirmar que o jornal impresso não perderia espaço para o online. Na avaliação dela, naquela época, um complementaria o outro”, diz.
Em 2016, contrariando o que disse a professora, o jornal em que Valeria trabalhava encerrou a versão impressa, ficando apenas com o online. “Passados dez anos, eu considero que o meu TCC continua me ensinando uma lição a cada dia. Senti na pele a realidade. Testemunhei um jornal de 45 anos fechar as portas”, afirma.
Ainda segundo Valéria, a perspectiva do impresso é, no máximo, complementar o online. “No formato em que o impresso insiste em manter, não tenho boas perspectivas de permanência ou crescimento”, vaticina.
Ainda sob sua ótica, o jornalismo online também tem seus desafios, sobretudo em tempos de redes sociais. “Diferentemente do que muitos falam, acredito que é possível fazer jornalismo de qualidade na internet. Vai depender da qualidade do jornalista, da postura da empresa e da exigência do público”, aponta.
Para os estudantes que estão na fase de definição de tema para o TCC, a orientação da jornalista é que busquem um assunto que realmente tenham interesse. “Sem esse envolvimento pessoal com o tema, há o risco de se perder no meio do caminho e o resultado não ser o esperado”, defende.
No ano passado, Valéria concluiu o mestrado profissional em jornalismo, também pela UFPB, e continuou estudando o jornal impresso, mas sobre outra vertente – a da invisibilidade das vítimas na cobertura policial.
*Você quer prestar uma homenagem ao seu Orientador de TCC? Indique ele para concorrer ao Professor IMPRENSA , projeto que reconhece os professores de Comunicação mais inspiradores do Brasil. Acesse www.portalimprensa.com.br/professorimprensa
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