Guga Noblat fala sobre os desafios de ser colunista de “O Globo” e repórter no "CQC"

Há pouco mais de duas semanas como repórter oficial do programa "CQC", da Band, o jornalista Guga Noblat explica que não tem sentido grandes mudanças em sua rotina.

Atualizado em 26/06/2013 às 14:06, por Danubia Guimarães.

semanas como repórter oficial do programa "CQC", da Band, o jornalista Guga Noblat explica que não tem sentido grandes mudanças em sua rotina. Também pudera, antes de ser anunciado como mais novo integrante, atuou durante quatro anos como produtor de política na atração.
“O CQC é um programa que sempre acompanhei. Quando abriram uma vaga de produtor de conteúdo político há quatro anos, o jornalista Bob Fernandes, que é muito meu amigo e também do Marcelo Tas, me indicou. Me testaram duas vezes e acabaram me contratando”.
Crédito:Divulgação Guga Noblat entrevista o deputado Jair Bolsonaro Formado em jornalismo há nove anos, Noblat trabalhou como roteirista em diversas produtoras de vídeo em Brasília, mas jamais se imaginou estar à frente das câmeras. Filho do jornalista de política Ricardo Noblat, o repórter confessa que desde pequeno sonhava trabalhar em jornais impressos, à exemplo do pai.
Acompanhe a seguir entrevista exclusiva à IMPRENSA.
IMPRENSA Você já é uma figura carimbada no esporte, como surgiu a oportunidade para trabalhar no "CQC"? Guga Noblat - O "CQC" é um programa que sempre acompanhei, gostei. Quando abriram uma vaga de produtor de conteúdo político, há quatro anos, o jornalista Bob Fernandes, que é muito meu amigo e também do Marcelo Tas, me indicou. Me testaram duas vezes e acabaram me contratando. Fiquei quatro anos ralando nessa. Meu papel até então era muito parecido com o do repórter, precisava pensar a pauta toda.
Não só sugeria a pauta, mas pensava em toda ela junto com o repórter. Nas piadas, nas brincadeiras e ia a campo junto. A matéria é uma co-produção do repórter, produtor e cinegrafista. Mas sempre me senti capaz de estar com o microfone na mão.
Qual foi a matéria que mais marcou nesse período? Foram muitas, mas teve uma matéria que fiz com a Mônica [Iozzi], em 2010, que repercutiu bastante. Inventamos a PEC Cachaça, que seria uma lei que inclui a cachaça na cesta básica e colocamos uma mulher bonitona para pedir assinatura dos políticos para a votação no Congresso. A ideia era mostrar como os políticos têm o hábito de passar ali e assinar qualquer apressamento de lei. Qualquer pedido que faziam, eles assinavam. Foi o que aconteceu com a PEC Cachaça. Um deles apenas leu e não assinou. Foi o deputado João Dado, do PDT-SP.
Como foi o processo seletivo para a vaga de repórter no CQC?
O "CQC" foi o único programa que me despertou a vontade de ser repórter, porque tem uma linha editorial que eu gosto, que me dá muita liberdade. É um programa muito mais jornalístico que de humor. São sempre matérias jornalísticas com alguma ponta de acidez ou um pouco de humor. Talvez um jornalismo gonzo. É um jornalismo que atrai.
A concorrência foi difícil. Tinha gente com passagens pela Globo, gente com muita experiência com TV, do stand up comedy, da MTV, da Rede TV!, gente com currículo muito bom. Umas 12 ou mais pessoas. Fui escolhido porque eu surpreendi todo mundo. Passei um perfil que foge do previsível. Eles deixaram eu fazer o teste porque estava há muito tempo por lá. Fui o último.
Além de ser repórter do "CQC" você também tem uma coluna em O Globo . Vai manter os dois trabalhos?
A ideia é manter minha coluna sobre MMA e o blog também. Era um hobby que virou emprego e que quero continuar, mas claro que o "CQC" é prioridade e também leva mais tempo.
Por conta do programa, moro em São Paulo, escrevo o material para O Globo de casa. Tenho que me virar para conseguir as fontes e entrevistas por aqui mesmo, não dá para bater ponto no Rio. Comecei em 2008 como um cara que curtia o esporte, tinha muito conhecimento da história, mas sem fonte nenhuma. Desde moleque, em 1993, quando começou o UFC nos Estados Unidos, passei acompanhar.
Como tem sido sua rotina de gravações? Tenho que quase todo dia ir a campo para gravar. Tem só um dia da semana que tiro de folga e que preciso avisar com antecedência. Estou gostando muito da experiência. Fiquei bem tranquilo. Na verdade, como já estava ali do lado do repórter há anos, foi quase que igual, só mudou o microfone na mão.
Como surgiu seu interesse por política? Meu pai e minha mãe sempre foram muito envolvidos com a política, passei minha infância na redação do Jornal do Brasil acompanhando meu pai, apurando as notícias com ele. Sempre soube que seria jornalista e que trabalharia com política, sempre me envolvi bastante. Esporte para mim foi novidade. Nunca me imaginei atuando na área. MMA foi uma surpresa na minha vida. Até mesmo a TV foi surpresa, porque sempre me imaginei nos bastidores, nunca treinei para ser repórter. Tive aquela coisa romântica de querer trabalhar no jornal impresso.