Guerra na Ucrânia: Fundador do Telegram admite uso do app para desinformação

Pavel Durov alertou usuários para que suspeitem das informações que circulam no canal

Atualizado em 28/02/2022 às 11:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Criador do Telegram, o russo Pavel Durov admitiu ontem que o aplicativo está sendo amplamente usado para difundir desinformação sobre a invasão da Rússia à Ucrânia, iniciada na última quinta-feira (24).
Nas redes sociais, ele pediu para que os usuários suspeitem de todas as informações que circulam pelo canal, e pediu que mensagens de usuários não compartilhem nada sem verificação.
"Os canais do Telegram estão se tornando cada vez mais uma fonte de informações não verificadas relacionadas a eventos ucranianos. Não temos a capacidade física de verificar a precisão de todas as publicações do canal, disse. Crédito:TechCrunch Disrupt Europe/Divulgação Pavel Durov é o criador do Telegram Pavel Durov é o criador do Telegram "Peço aos usuários da Rússia e da Ucrânia que suspeitem de qualquer dado distribuído no Telegram neste momento. Não queremos que o Telegram seja usado como uma ferramenta que agrava conflitos e incita o ódio étnico", acrescentou.
Apesar dos pedidos para que o aplicativo seja suspenso durante os conflitos, ele afirmou que a administração do Telegram preferiu desconsiderar medidas neste nível.
"Muitos usuários nos pediram para não considerarmos desabilitar os canais do Telegram pelo período do conflito, já que somos a única fonte de informação para eles. Em razão disso, decidimos não considerar tais medidas. No entanto, mais uma vez peço que verifiquem e não acreditem nos dados que são publicados nos canais do Telegram durante este período difícil."
O Telegram é uma das principais formas de comunicação das autoridades ucranianas com os cidadãos durante a invasão russa. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, mantém um canal onde divulga vídeos e mensagens diariamente.
Suspensão no Brasil
Na sexta-feira (25), o Supremo Tribunal Federal ordenou que o Telegram suspendesse alguns perfis investigados pela "suspeita de liderar esquema de financiamento de milícias digitais no Brasil". A decisão foi do ministro Alexandre de Moraes.
Entre as contas bloqueadas está a do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de um mandado de prisão até hoje não cumprido. O dono do "Terça Livre" está nos Estados Unidos.
"O uso do Telegram se revela como mais um dos artifícios utilizados pelo investigado para reproduzir o conteúdo que já foi objeto de bloqueio nestes autos, burlando decisão judicial, o que pode caracterizar, inclusive, o crime de desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito (art. 359 do Código Penal)", escreveu Moraes.
Segundo o Ministro, "a utilização de vários perfis, criados com a intenção de se esquivar dos bloqueios determinados, tem sido prática recorrente de Allan Lopes dos Santos para a continuidade da prática delitiva, comportamento que deve ser restringido".
Se desrespeitasse a decisão, os serviços do Telegram poderiam ser suspensos no Brasil, e uma multa de R$ 100 mil por dia seria imposta. No sábado (26), o STF confirmou por meio de nota que a decisão havia sido cumprida.