Guardian montou grupo de trabalho para adotar IA "com segurança e responsabilidade"
Publicado hoje, um artigo de Chris Moran, chefe da editoria de inovação do Guardian, revelou que o veículo criou um grupo de trabalho e uma equipe de engenharia para aprender sobre as possibilidades de uso da inteligência artificial em sua produção de conteúdo.
Atualizado em 06/04/2023 às 17:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
Trabalhando com foco no ChatGPT, o modelo de inteligência artificial da empresa OpenAI que permite automação de escrita, a equipe tem ouvido acadêmicos, especialistas e organizações, a fim de preparar os colegas para explorar "com segurança e responsabilidade" as aplicações da IA no jornalismo.
"A grande questão que o fenômeno do ChatGPT coloca para as organizações de notícias é como essa nova tecnologia pode beneficiar o jornalismo responsável em um momento em que o ecossistema de informações está sob pressão da desinformação e da polarização política", pondera Moran. "Esta é a questão com a qual estamos lidando no Guardian. É por isso que ainda não anunciamos um novo formato ou produto baseado em IA." Crédito:Reprodução The Guardian/Nicolas Economou/NurPhoto/REX/Shutterstock Chat GPT alcançou 100 milhões de usuários em dois meses; TikTok levou nove meses para exibir a mesma marca
Esse comunicado oficial, ele prossegue, vai ocorrer em breve. Sem abrir detalhes, o profissional diz que a adoção de IA pelo veículo vai ocorrer "nos mais altos padrões jornalísticos" e que o Guardian vai continuar "prestando contas aos leitores" pelo jornalismo que publica. "Embora muita coisa tenha mudado nos últimos seis meses, nesse aspecto crucial nada mudou", disse Moran, em referência ao lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.
Artigo apócrifo
Para exemplificar o impacto da IA no jornalismo e na indústria de notícias, o editor do Guardian revelou que no mês passado um dos repórteres da equipe recebeu um e-mail de um pesquisador mencionando um artigo assinado pelo referido jornalista e publicado no veículo anos antes.
Moran conta que, embora o assunto e o estilo de manchete e de texto lembrassem muito os do jornal, o artigo não foi localizado no arquivo digital e o repórter não conseguia se lembrar de tê-lo escrito.
Preocupados com a possibilidade de haver algum erro no sistema, os jornalistas do Guardian pediram a colegas da área de TI que fizessem um pente-fino nos sistemas em busca do arquivo. Depois de muita procura, nenhum vestígio da matéria.
Pressionado, o pesquisador revelou que havia usado a inteligência artificial do ChatGPT para produzir o texto. O material baseia-se em respostas da IA a perguntas sobre o assunto da matéria. "Sua fluência e os vastos dados de treinamento sobre os quais se baseia fizeram com que a existência da peça inventada parecesse crível até mesmo para a pessoa que absolutamente não a havia escrito", ressalta o editor do Guardian.
Para Moran, a possibilidade de a IA inventar fontes de informação apócrifas é bastante preocupante para jornalistas e veículos de imprensa, já que esses textos de autoria inverídica são escritos de forma altamente persuasiva e podem servir como peças de desinformação que até checadores profissionais têm dificuldade de identificar.
Moran também lembrou que em apenas dois meses o ChatGPT registrou mais de 100 milhões de usuários mensais, marca que o TikTok levou nove meses para atingir.
"A grande questão que o fenômeno do ChatGPT coloca para as organizações de notícias é como essa nova tecnologia pode beneficiar o jornalismo responsável em um momento em que o ecossistema de informações está sob pressão da desinformação e da polarização política", pondera Moran. "Esta é a questão com a qual estamos lidando no Guardian. É por isso que ainda não anunciamos um novo formato ou produto baseado em IA." Crédito:Reprodução The Guardian/Nicolas Economou/NurPhoto/REX/Shutterstock Chat GPT alcançou 100 milhões de usuários em dois meses; TikTok levou nove meses para exibir a mesma marca
Esse comunicado oficial, ele prossegue, vai ocorrer em breve. Sem abrir detalhes, o profissional diz que a adoção de IA pelo veículo vai ocorrer "nos mais altos padrões jornalísticos" e que o Guardian vai continuar "prestando contas aos leitores" pelo jornalismo que publica. "Embora muita coisa tenha mudado nos últimos seis meses, nesse aspecto crucial nada mudou", disse Moran, em referência ao lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.
Artigo apócrifo
Para exemplificar o impacto da IA no jornalismo e na indústria de notícias, o editor do Guardian revelou que no mês passado um dos repórteres da equipe recebeu um e-mail de um pesquisador mencionando um artigo assinado pelo referido jornalista e publicado no veículo anos antes.
Moran conta que, embora o assunto e o estilo de manchete e de texto lembrassem muito os do jornal, o artigo não foi localizado no arquivo digital e o repórter não conseguia se lembrar de tê-lo escrito.
Preocupados com a possibilidade de haver algum erro no sistema, os jornalistas do Guardian pediram a colegas da área de TI que fizessem um pente-fino nos sistemas em busca do arquivo. Depois de muita procura, nenhum vestígio da matéria.
Pressionado, o pesquisador revelou que havia usado a inteligência artificial do ChatGPT para produzir o texto. O material baseia-se em respostas da IA a perguntas sobre o assunto da matéria. "Sua fluência e os vastos dados de treinamento sobre os quais se baseia fizeram com que a existência da peça inventada parecesse crível até mesmo para a pessoa que absolutamente não a havia escrito", ressalta o editor do Guardian.
Para Moran, a possibilidade de a IA inventar fontes de informação apócrifas é bastante preocupante para jornalistas e veículos de imprensa, já que esses textos de autoria inverídica são escritos de forma altamente persuasiva e podem servir como peças de desinformação que até checadores profissionais têm dificuldade de identificar.
Moran também lembrou que em apenas dois meses o ChatGPT registrou mais de 100 milhões de usuários mensais, marca que o TikTok levou nove meses para atingir.





