Greenwald diz que o Brasil "é o grande alvo dos EUA"; Obama se justifica

O jornalista do The Guardian, Glenn Greenwald, disse em entrevista ao UOL que “o Brasil é o grande alvo [da espionagem] dos Estados Unidos”.

Atualizado em 04/09/2013 às 17:09, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista do The Guardian , Glenn Greenwald, disse em entrevista ao UOL que “o Brasil é o grande alvo [da espionagem] dos Estados Unidos”. Greenwald foi responsável pela matéria que revelou ao mundo que os EUA monitoram dados de civis através de sites como o Twitter e o Facebook. Sua matéria se baseou em documentos fornecidos pelo ex-agente da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), Edward Snowden, que está exilado na Rússia desde 1º de agosto.

Crédito:Leonardo Rozário Para Greenwald, Brasil é o grande alvo da espionagem norte-americana No último domingo (1/9), o jornalista, em uma matéria conjunta com o “Fantástico”, da Rede Globo, revelou que o Brasil e o México são os maiores alvos da espionagem dos EUA, principalmente a presidente Dilma Rousseff e o presidente mexicano Enrique Peña Nieto. “O programa que eles usaram contra a Dilma com certeza coletou o conteúdo dela. Mas não tenho mensagem específica como tive com o presidente do México, porque eles só mostraram exemplos de como o sistema está funcionando. Com certeza eles estão coletando não só os metadados [dados sobre os vetores de comunicação, mas não sobre o conteúdo], mas o conteúdo também”, disse Greenwald.
Sobre a razão para o governo norte-americano espionar outros países, Greenwald considera que o motivo seja o “poder” que a espionagem dá. “Todos os governos na história que quiseram controlar o mundo, controlar a população, usaram a espionagem para fazer isso. Quando você sabe muito sobre o que outros líderes estão pensando, planejando, comunicando, você pode controlá-los muito mais porque você sempre sabe o que eles estão fazendo. O motivo é o poder. Sempre que os Estados Unidos estão fazendo espionagem, o poder deles aumenta muito. (...) Mas com certeza é para obter vantagens industriais e também por questões de segurança nacional”, afirmou.
O jornalista disse ainda que há muitos políticos o ameaçando, pedindo para que ele seja preso. “Sabia que iria acontecer [esse tipo de ameaça], mas não vou parar nem um pouco por causa disso”.
Justificativa
Nesta quarta-feira (4/9), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o governo norte-americano obteve "informações de inteligência" sobre outros países para "tentar entender melhor o mundo", e que agiu de tal forma "porque nossos meios são significativamente maiores". O presidente ainda disse que a ação visa "algumas áreas de preocupação".
"Nossas capacidades militares são mais significativas que as de outros países. Podemos ter os mesmos objetivos, mas nossos meios são significativamente maiores", disse Obama. O presidente dos EUA afirmou ainda que, após os atentados de 11 de setembro de 2001, muito da inteligência americana foi ampliada para combater o terrorismo. "Houve tempos em que os procedimentos não funcionaram como deveriam, o que levanta questões sobre se não estamos sendo invasivos demais. O risco de abusos hoje é maior", afirma. "Não é porque podemos fazer algo que vamos fazer", acrescentou Obama.