Grande imprensa não dá importância para a cultura da internet, diz Bia Granja
O chamado “boom” da internet mudou completamente a maneira como as pessoas se relacionam e como informações são transmitidas entre a massa.
Atualizado em 20/02/2014 às 15:02, por
Lucas Carvalho*.
As redes sociais se tornaram uma plataforma para o surgimento e o desenvolvimento de movimentos sociais, além de ser uma fonte de informação e divulgação para veículos de imprensa. A internet se tornou um organismo vivo, e hoje é praticamente impensável ignorar o que os usuários falam e fazem no mundo digital.
Crédito:Divulgação Bia Granja diz que imprensa precisa abrir espaço para a cultura da internet
Pensando nisso, surgia em 2006 a revista PIX Magazine , uma publicação voltada ao público jovem com a proposta de abrir espaço na mídia impressa para a cultura popular da internet. A revista se transformou num evento que reuniu, em sua última edição, mais de 17 mil pessoas, o YouPIX Festival, além do de mesmo nome, repercute e destrincha os fenômenos da web, desde memes até a proposta do Marco Civil.
Bia Granja é co-criadora, publisher e curadora do youPIX e também da Campus Party Brasil. Considerada uma das pessoas mais influentes na área digital do país, ainda professora da Escola São Paulo e colunista em veículos como a Folha de S.Paulo , O Estado de S. Paulo , Galileu , entre outros.
“Hoje em dia nos tornamos referência quando o assunto é cultura pop digital, mas por muito tempo fomos vistos como um bando de nerds com uma cultura e linguagem próprias. Hoje em dia, essa linguagem e cultura já transcenderam. A partir do momento em que todos estão cada vez mais permanentemente conectados às redes, as pessoas se encontram inseridas nesse contexto cultural sem nem perceber”, afirma.
Ela conta que a revista PIX surgiu para atender uma demanda pessoal de encontrar uma publicação que “falasse sobre as coisas bacanas que rolavam na web sem afetação”. Para Bia, os temas relacionados ao mundo digital deixaram de ser um segmento há muito tempo e se tornaram um assunto de primeira importância. “Os maiores movimentos da cultura popular hoje em dia passam pela rede. Chamá-la de ‘segmento’ é ter uma visão míope e atrasada do poder revolucionário que a rede tem. Muitos outros veículos, agências e pessoas recorrem ao youPIX para entender o que está acontecendo no mundo jovem”.
Enquanto outros veículos de imprensa tentam se encaixar na esfera digital, buscando pouco a pouco entender o que se passa na internet e como conquistar aquele público, o youPIX já está à vontade nesse meio. A plataforma oferece ainda uma “ ”, a primeira enciclopédia de memes do Brasil, que cataloga e identifica a origem dos principais virais e tendências das redes sociais.
Perguntada sobre como o youPIX parece se antecipar a outros veículos de imprensa na identificação desse tipo de fenômeno popular, Bia explica. “A gente não se antecipa a criação do meme, mas como não somos meros observadores desse movimento todo das redes, fica mais fácil sacar quanto algo esta bombando. Toda a equipe do youPIX faz parte dessa cultura web, nós não estamos de fora olhando tudo e reportando, nós estamos vivendo aquilo. É natural”.
Para a publisher, os veículos de comunicação mais populares, como a TV e os jornais, ainda dão muito pouca importância para a cultura da internet. “A grande imprensa ainda vê a cultura web como algo do ‘nerd de cueca em casa’. Eles ainda têm medo do poder que as pessoas empoderadas pelo digital têm. A Globo não quer abrir mão do seu poder, não quer admitir que existe algo tão forte na internet que pode mexer com a audiência do canal ou levar a movimentos de #abaixoaredeglobo”, cita como exemplo.
Por fim, Bia declara seu apoio ao Marco Civil, mas alerta o que o atual texto pode significar para a liberdade de expressão na rede. “O youPIX e eu, particularmente, somos historicamente a favor do Marco Civil. Mas quando a Dilma resolveu transformar o projeto em ferramenta política tudo desandou. A partir daí, o projeto de lei virou uma colcha de retalhos, um Frankenstein cheio de emendas que tentam apaziguar os ânimos de empresas e políticos. Ainda somos a favor, mas temos medo do projeto que está prestes a ser aprovado. Questões como privacidade, neutralidade de rede e liberdade de expressão impactam diretamente na cultura de internet e na vida do internauta”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Bia Granja diz que imprensa precisa abrir espaço para a cultura da internet
Pensando nisso, surgia em 2006 a revista PIX Magazine , uma publicação voltada ao público jovem com a proposta de abrir espaço na mídia impressa para a cultura popular da internet. A revista se transformou num evento que reuniu, em sua última edição, mais de 17 mil pessoas, o YouPIX Festival, além do de mesmo nome, repercute e destrincha os fenômenos da web, desde memes até a proposta do Marco Civil.
Bia Granja é co-criadora, publisher e curadora do youPIX e também da Campus Party Brasil. Considerada uma das pessoas mais influentes na área digital do país, ainda professora da Escola São Paulo e colunista em veículos como a Folha de S.Paulo , O Estado de S. Paulo , Galileu , entre outros.
“Hoje em dia nos tornamos referência quando o assunto é cultura pop digital, mas por muito tempo fomos vistos como um bando de nerds com uma cultura e linguagem próprias. Hoje em dia, essa linguagem e cultura já transcenderam. A partir do momento em que todos estão cada vez mais permanentemente conectados às redes, as pessoas se encontram inseridas nesse contexto cultural sem nem perceber”, afirma.
Ela conta que a revista PIX surgiu para atender uma demanda pessoal de encontrar uma publicação que “falasse sobre as coisas bacanas que rolavam na web sem afetação”. Para Bia, os temas relacionados ao mundo digital deixaram de ser um segmento há muito tempo e se tornaram um assunto de primeira importância. “Os maiores movimentos da cultura popular hoje em dia passam pela rede. Chamá-la de ‘segmento’ é ter uma visão míope e atrasada do poder revolucionário que a rede tem. Muitos outros veículos, agências e pessoas recorrem ao youPIX para entender o que está acontecendo no mundo jovem”.
Enquanto outros veículos de imprensa tentam se encaixar na esfera digital, buscando pouco a pouco entender o que se passa na internet e como conquistar aquele público, o youPIX já está à vontade nesse meio. A plataforma oferece ainda uma “ ”, a primeira enciclopédia de memes do Brasil, que cataloga e identifica a origem dos principais virais e tendências das redes sociais.
Perguntada sobre como o youPIX parece se antecipar a outros veículos de imprensa na identificação desse tipo de fenômeno popular, Bia explica. “A gente não se antecipa a criação do meme, mas como não somos meros observadores desse movimento todo das redes, fica mais fácil sacar quanto algo esta bombando. Toda a equipe do youPIX faz parte dessa cultura web, nós não estamos de fora olhando tudo e reportando, nós estamos vivendo aquilo. É natural”.
Para a publisher, os veículos de comunicação mais populares, como a TV e os jornais, ainda dão muito pouca importância para a cultura da internet. “A grande imprensa ainda vê a cultura web como algo do ‘nerd de cueca em casa’. Eles ainda têm medo do poder que as pessoas empoderadas pelo digital têm. A Globo não quer abrir mão do seu poder, não quer admitir que existe algo tão forte na internet que pode mexer com a audiência do canal ou levar a movimentos de #abaixoaredeglobo”, cita como exemplo.
Por fim, Bia declara seu apoio ao Marco Civil, mas alerta o que o atual texto pode significar para a liberdade de expressão na rede. “O youPIX e eu, particularmente, somos historicamente a favor do Marco Civil. Mas quando a Dilma resolveu transformar o projeto em ferramenta política tudo desandou. A partir daí, o projeto de lei virou uma colcha de retalhos, um Frankenstein cheio de emendas que tentam apaziguar os ânimos de empresas e políticos. Ainda somos a favor, mas temos medo do projeto que está prestes a ser aprovado. Questões como privacidade, neutralidade de rede e liberdade de expressão impactam diretamente na cultura de internet e na vida do internauta”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





