Grafitagem simboliza São Paulo em arte / Por Paula Caires - UST (SP)
Grafitagem simboliza São Paulo em arte / Por Paula Caires - UST (SP)
Atualizado em 14/07/2005 às 14:07, por
Paula Caires e estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (São Paulo/SP).
Grafitagem simboliza São Paulo em arte / Por Paula Caires - UST (SP)
Por Se a arte é o espelho que reflete (no duplo sentido da palavra) sua sociedade e sua época, o grafite é o espelho de São Paulo na modernidade.Enquanto os artistas plásticos utilizam telas para exporem sua arte, geralmente em museus, onde poucas pessoas (pelo menos no Brasil) têm acesso, "os grafiteiros usam os muros das cidades, acessíveis a todos, uma das razões de sua afinidade com as metrópoles", afirma o grafiteiro, Cláudio Ferreira Duarte, o Ise, que faz esse trabalho há 14 anos.
O grafite expressa criticamente as dificuldades sociais da população mais carente. As obras retratam a cidade: trens com pessoas de diferentes raças, um garoto trabalhando como engraxate, ruas movimentadas.
Por estar muito relacionada com a população periférica, o grafite tem um caráter solidário, que é incluir essas pessoas na sociedade, pois, ele torna acessível um tipo de arte, serve como ocupação às crianças carentes, diminuindo a possibilidade de envolvimento com drogas e crime, e dá oportunidade de profissionalização aos pixadores.
Por outro lado, sua popularidade é motivo de discriminação, sendo, às vezes, desconsiderado como arte. Mas, a dimensão de seu público permitiu seu crescimento que, podendo beneficiar toda sociedade, chamou a atenção de instituições governamentais.
A Cia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) criou o "Projeto Grafite" que organiza encontros para expandir a arte.
"O grafite fornece ao usuário dos trens um conforto visual, pois, onde ele está não há pixe, o que é bom, também, para a empresa, que economiza gastos com pintura de trens e muros", afirma o arquiteto da CPTM (responsável pelo projeto), Marcelo Oliveira.
O projeto começou em 1990 e já coloriu as estações de trem do Brás, com a participação de artistas alemães, da Lapa, em homenagem aos 450 anos de São Paulo e 150 de ferrovia, da Barra Funda, entre outras. Os grafites são feitos por um grupo reconhecido internacionalmente, do qual Ise faz parte.
Ise começou a grafitar com 12 anos por incentivo de um projeto social liderado pelos grafiteiros "Os Gêmeos". Hoje, com 25 anos de idade, ele possui uma loja de produtos para grafite e incentiva outros jovens. "O grafite interage com a cidade e com as pessoas, sua essência é a rua e o povo", declara.
Essa arte conta também com o "Projeto Quixote", ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que a expande como profissão à jovens carentes. As parcerias entre grafiteiros, instituições e empresas tornam o grafite mais presente em São Paulo e fortalece a ligação com a cidade.






