Governo paquistanês endurece regime de censura à imprensa
Governo paquistanês endurece regime de censura à imprensa
Sob a alegação de reagir à ameaça de ataques terroristas e de que algumas emissoras de TV estariam destruindo a estabilidade nacional, o presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, anunciou o fechamento de mais de dez emissoras privadas e canais estrangeiros, como BBC e CNN, foram impedidos de transmitir sua programação.
No último sábado (02), o governo enviou cartas a canais de TV pedindo que não fossem exibidos programas que "encorajassem" a violência ou promovessem um "comportamento anti-Estado". Segundo representantes das emissoras, teriam sido recebidas mensagens verbais ainda mais claras pedindo o cancelamento da cobertura ao vivo das passeatas por Chaudhry, chefe suspenso do Tribunal Supremo do país.
A Associação de Transmissores Paquistaneses classificou as restrições do governo como um "ataque ao fundamental e constitucional direito de expressão". As autoridades, no entanto, negam estar tentando censurar a mídia. Segundo o ministro da Informação, Mohammed Ali Durrani, o governo acredita em uma imprensa livre e apenas solicitou que a mídia respeite seu código de conduta.
Desde o último sábado, os canais exibem somente uma tela em branco e os boletins de informação da cadeia de televisão pública sob as ordens do poder. "A informação virou uma mercadoria de contrabando no Paquistão e é vendida no mercado negro", ironiza Inram Aslam, presidente da Geo Television, o canal de notícias a cabo de maior audiência.
Qualquer transgressão pode ser castigada com uma pena de prisão de até três anos ou uma multa de dez milhões de rúpias (167.000 dólares). A autoridade paquistanesa de regulamentação dos meios de comunicação poderá confiscar o material dos transgressores e fechar suas instalações durante 30 dias.
Desde a decisão de fechar emissoras de TV no país, grande parte dos paquistaneses tem aderido ao uso da internet como principal meio de obter informações.
No domingo (4), a Geo Television enviou uma mensagem por celular a seus clientes para que se conectassem ao portal para continuar assistindo seus programas ao vivo. Sua principal concorrente, a ARY One, fez a mesma coisa por e-mail.
Com uma população de 160 milhões de pessoas, o Paquistão tem entre três e cinco milhões de internautas, segundo informaram as operadoras de acesso à internet.






