Governo Milei suspende atividades do maior veículo de comunicação público da Argentina

O governo do presidente Javier Milei suspendeu as atividades da agência pública de notícias Télam, que tem 78 anos e é considerada uma das maiores da Argentina.

Atualizado em 04/03/2024 às 13:03, por Redação Portal IMPRENSA.


Ontem, funcionários da agência teriam recebido um comunicado informando que estavam dispensados do trabalho pelos próximos 7 dias.
Carla Gaudensi, secretária-geral da Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa (Fatpren), classificou a medida como antidemocrática e um atentado à liberdade de imprensa.
Crédito: Reprodução Télam Funcionários da Télam protestam em frente à sede da agência contra seu fechamento pelo governo Milei
"A agência garante um serviço público de acesso a informação em todo o país", protestou a dirigente, acrescentando que a Télam também oferece serviços de fotos, além de programas de TV e rádio.
Organizações jornalísticas latino-americanas estão promovendo diversos atos contra a suspensão das atividades da agência.

"Propaganda kirchnerista"

Diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, Artur Romeu classifiou o fechamento da Télam como lamentável e um desrespeito à sociedade argentina.
Além da necessidade de cortar gastos públicos, Milei disse que a suspensão das atividades da agência se deve ao uso de sua estrutura para divulgação do que ele chamou de "propaganda kirchnerista”.
Ao longo de sua trajetória política, Milei sempre pregou a privatização ou extinção dos meios de comunicação públicos.
Em teoria, porém, o encerramento da Télam e de outros veículos de notícias públicos da Argentina precisa ser aprovado pelo Legislativo. Caso o governo Milei insistir em ignorar essa premissa, a questão deve ser decidida judicialmente.
Contando com mais de 700 funcionários, que atuam com vídeo, rádio, internet e redes sociais, a Télam tem correspondentes em todas as províncias argentinas e produz cerca de 500 matérias por dia.