Governo exonera presidente da EBC e pede comedimento a servidores em postagens sobre guerra entre Israel e Hamas

Após a exoneração do presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Hélio Doyle, por compartilhar no X (ex-Twitter) um post afirmando que os apoiadores de Israel são “idiotas”, o governo federal estaria orientando servidores públicos a terem neutralidade em suas publicações sobre o conflito no Oriente Médio.

Atualizado em 19/10/2023 às 12:10, por Redação Portal IMPRENSA.


Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes do governo que ocupam cargos de liderança têm recebido ligações e mensagens informais pedindo comedimento e bom senso em suas opiniões sobre o assunto postadas nas redes sociais.
A ideia seria evitar casos como o do ex-presidente da EBC, que vinha publicando mensagens a favor da Palestina e acusando o governo de Israel de cometer crimes de guerra. A postagem que levou à sua exoneração afirma: “Não precisa ser sionista para apoiar Israel. Ser um idiota é o bastante”. Crédito: Reprodução Agência Brasil-Rafa Neddermeyer Hélio Doyle, ex-presidente da EBC: exoneração após sequência de rusgas com entidades Também nas redes sociais, Doyle atribuiu sua demissão ao ministro Paulo Pimenta, que teria manifestado descontentamento por ele ter "repostado, no X , postagem de terceiro acerca do conflito no Oriente Médio". Ainda de acordo com o ex-presidente da EBC, Pimenta afirmou que a repostagem e sua repercussão na imprensa "criaram constrangimentos ao governo, que mantém posição de neutralidade no conflito, em busca da paz e da proteção aos cidadãos brasileiros".
"Diante disso, pedi desculpas e comuniquei que deixo a presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), agradecendo ao ministro Pimenta e ao presidente Lula pela confiança em mim depositada por todos esses meses”, arrematou Doyle.
Ataque vil e covarde

Não é a primeira vez que ele causou embaraços ao governo. Em agosto, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e diferentes sindicatos dos jornalistas criticaram Doyle por uma entrevista que ele concedeu ao portal Metrópoles, na qual se mostrou contra a existência de trabalhadores concursados em uma empresa de comunicação pública. Para ele, funcionários concursados da EBC se negam a passar do horário da jornada de trabalho e têm muitos direitos e privilégios.
As entidades classificaram as falas como um "ataque vil e covarde" e afirmaram que Doyle demonstrava "mentalidade neoliberal" ao querer trazer para a EBC o "padrão de alta exploração da força de trabalho que prevalece nas empresas privadas".
Em maio último houve outra rusga entre as entidades e Doyle. Neste caso, ele foi criticado por eliminar cargos na diretoria de jornalismo da EBC, enfraquecer o telejornalismo local da empresa e transferir jornalistas da Agência Brasil para a comunicação do governo federal.
Na ocasião, dirigentes sindicais reclamaram do enfraquecimento da produção jornalística da EBC, argumentando que as mudanças no organograma da empresa denotam uma priorização da comunicação estatal ante o jornalismo de interesse público.