Governo da China ignora perguntas sobre censura ao discurso de Barack Obama

Governo da China ignora perguntas sobre censura ao discurso de Barack Obama

Atualizado em 22/01/2009 às 14:01, por Redação Portal IMPRENSA.

O governo da China ignorou sumariamente as perguntas feitas por repórteres sobre o motivo da censura ao discurso do presidente norte-americano Barack Obama, em sua cerimônia de posse, na última terça-feira (20).

Ao ser indagada por um jornalista durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (22), a ministra do Exterior, Jiang Yu, disse desconhecer a censura descrita pelo repórter. "Eu não estou ciente da questão que você mencionou, mas acho que a mídia chinesa tem seus próprios direitos de edição", declarou.

A questão levantada na coletiva se refere ao corte repentino feito pela rede estatal chinesa Televisão Central da China no momento em que o tradutor da fala de Obama mencionou a palavra "comunismo". Instantaneamente, a imagem foi cortada para um repórter visivelmente constrangido, segundo informa agência de notícias Dow Jones.

Além de fazer referência ao comunismo e ao fascismo, Obama mencinonou regimes que se mantém no poder por meio da corrupção, das fraudes e do silêncio dos dissidentes, uma questão muito delicada na China, país em que muitos dissidentes padecem em prisões ou estão sob vigilância da polícia. Esta parte do discurso também foi censurada, a exemplo da das partes de sua fala consideradas "impróprias". Assim como fez a TV estatal chinesa, os principais portais de internet e jornal People's Daily, porta-voz do Partido Comunista, também não publicaram essas falas.

A ministra chinesa ainda defendeu o modo como o governo lida com os direitos humanos. "A China respeita e protege os direitos humanos. Isto está assegurado na Constituição da China", disse ela. "A China tem feito uma série de progressos que têm sido noticiados no mundo inteiro", acrescentou. Defensores dos direitos humanos lembram a prisão de dissidentes e jornalistas que se atrevem a criticar o governo.

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