Governo cria vídeos para pedir entrega de documentos sobre desaparecidos da ditadura militar
Governo cria vídeos para pedir entrega de documentos sobre desaparecidos da ditadura militar
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) produziu três anúncios de TV para estimular a população a entregar documentos e informações sobre a localização de desaparecidos no período da ditadura militar (1965-1985). As obras, dirigidas por cineastas conhecidos no Brasil, como Cao Hamburguer ("O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"), serão veiculadas em rede aberta a partir do próximo domingo (27) e contam com a participação de familiares de desaparecidos políticos. De acordo com a Secom, todo o material recolhido será encaminhado ao Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil - Memórias Reveladas, do Arquivo Público Nacional.
O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que a veiculação dos anúncios está "vinculada ao esforço de sensibilização para que as pessoas que souberam de alguma coisa entrem em contato com o Memórias Reveladas, para que se tente cumprir o objetivo humanitário de providenciar os funerais (dos desaparecidos)".
Vannuchi informou que existem mais de 140 vítimas do regime militar com paradeiro ainda desconhecido. Segundo o ministro, "qualquer que seja a divergência ideológica, histórica política sobre o período, ninguém pode ter divergência sobre o direito de localizar os restos mortais e sepultar".
Além de Cao Hambúrguer, dirigem os filmes outros dois cineastas que já produziram obras sobre a ditadura militar: João Batista de Andrade ("Vlado - 30 anos depois") e Helvécio Ratton ("Batismo de Sangue").
Apesar da iniciativa, a realização dos anúncios não gerou consenso entre os familiares dos desaparecidos. Para Crimélia Alice Schimidt de Almeida, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e esposa de André Gribois, a campanha é "ridícula". Para ela, o governo deveria identificar e punir as pessoas que furtaram documentos sobre o período militar.
"São documentos público, produzidos pelo serviço público, que estão em mãos de particulares. O governo, em vez de responsabilizar os agentes do serviço secreto público que fizeram isso, resolve fazer uma campanha na televisão pedindo 'por favor'. É surrealista", declarou Crimélia. A informação é da Folha de S.Paulo .
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