Governo argentino pede que imprensa questione circunstâncias da morte de promotor
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (20/01), o chefe do Gabinete argentino, Jorge Capitanich, pediu que a imprensa questione as circunstâncias da morte do promotor Alberto Nisman, em Buenos Aires, no último domingo (18/01), informou a EFE.
Crédito:Agência Brasil Governo argentino quer que morto de promotor seja investigada até "as últimas consequências" e pede ajuda da imprensa
Ele foi encontrado em seu apartamento com um tiro na cabeça horas antes de comparecer ao Congresso para detalhar suas conclusões sobre o atentado terrorista contra a associação judia AMIA em 18 de julho de 1994 que causou a morte de 85 pessoas.
"É absolutamente imprescindível fazermos várias perguntas: por que no sábado pediu uma arma? Será que ele estava sendo pressionado, ou tinha sofrido algum tipo de ameaça? Se as ameaças provinham de agentes da inteligência atuais ou já aposentados ou estrangeiros. Por que interrompeu uma viagem? Se isso constituiu uma pressão ou extorsão, é necessário investigar até as últimas consequências. É necessário identificar por que fizeram isso", disse Capitanich.
Na última quarta-feira (14/01), Nisman acusou a presidente Cristina Kirchner e outros funcionários de alto escalão do governo por, segundo ele, acobertar a responsabilidade de iranianos no atentado. De acordo com ele, o acobertamento seria em favor das relações comerciais e da troca de petróleo por grãos em um contexto de crise energética na Argentina.
A denúncia menciona também os nomes do deputado governista Andrés Larroque, dos militantes Luis D'Elia e Fernando Esteche, da secretaria de Inteligência da presidência argentina, o ex-promotor federal e ex-juiz de instrução Héctor Yrimia, e o iraniano Jorge "Yussuf" Khalil.
Segundo a CartaCapital , os cerca de 300 mil judeus da Argentina receberam a denúncia com cautela. Já o governo classificou a acusação de "ridícula". O depoimento de Nisman na Comissão de Legislação Penal da Câmara de Deputados era visto como um "momento emblemático" de uma investigação que dura 20 anos, com denúncias de acobertamentos e incompetência.
Capitanich acrescentou que a morte de Nisman seria uma tentativa de transformar o governo argentino, que tenta esclarecer o atentado, em encobridor dos fatos. O país quer que uma investigação "até as últimas consequências" determine a causa da morte, até o momento tratada como suicídio
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