Governo argentino denuncia Clarín e La Nación por crimes contra a humanidade
Governo argentino denuncia Clarín e La Nación por crimes contra a humanidade
Governo argentino denuncia Clarín e La Nación por crimes contra a humanidade
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apresentou um relatório, na última terça-feira (24), que acusou os donos dos jornais Clarín , La Nación e La Razón de crimes de lesa-Humanidade. Para o governo, os veículos teriam adquirido de forma ilegal ações da Papel Prensa, maior produtora de papel-jornal do país.
| Agência Brasil | |
| Cristina Kirchner |
Segundo o jornal O Globo , o relatório "Papel Prensa, a verdade" foi apresentado por Cristina na Casa Rosada e transmitido em rede nacional. As 200 páginas do texto contêm afirmações de que os jornais foram cúmplices dos militares na época da ditadura para assumir o controle acionário da empresa, em 1976.
O governo argentino declarou que as ações da produtora de papel foram adquiridas depois que seus antigos proprietários foram torturados pela ditadura, caracterizando transação ilegal.
Atualmente, o Grupo Clarín detém 49% das ações da Papel Prensa; o La Nación possui 22,49%; e o Estado argentino mantém o controle de 27,46% da empresa. Os 1,05% restantes se concentram nas mãos de pequenos investidores. O La Razón declarou falência em 2000.
A intenção do governo do país, segundo o jornal Folha de S.Paulo , seria anular a compra da empresa, que produz três quartos do papel-jornal utilizado na Argentina. Ao anunciar o relatório, Cristina aproveitou a ocasião para apresentar ao Congresso um projeto de marco regulatório que estabeleceria uma comissão parlamentar para fiscalizar as operações da Papel Prensa.
O projeto também pretende estimular o aumento da produção nacional do material, para que as empresas de comunicação não precisassem importar papel para impressão.
O "Papel Prensa, a verdade" será enviado à Justiça argentina, juntamente com as denúncias de crimes contra a humanidade. O Clarín e o La Nación acusaram o governo de Cristina de querer aumentar seu controle sobre as mídias no país com a apropriação da Papel Prensa.
Não são apenas os jornais que passaram por algum conflito com o governo argentino. Em 2009, o Estado assinou um contrato com a Associação do Futebol Argentino (AFA) para que as emissoras de TV estatais tivessem direito de transmissão dos jogos da seleção da Argentina, rompendo um antigo acordo de exclusividade do Grupo Clarín.
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