Governo argentino afirma que jornais adquiriram produtora de papel ilegalmente

Governo argentino afirma que jornais adquiriram produtora de papel ilegalmente

Atualizado em 23/08/2010 às 08:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O governo da Argentina apresentará, na próxima terça-feira (24), um relatório sobre uma suposta aquisição ilegal da Papel Prensa pelos jornais Clarín e La Nación . Por sua vez, os dois veículos de comunicação afirmam que esta seria uma estratégia da presidente Cristina Kirchner para controlar a imprensa no país.

De acordo com a agência EFE, a Papel Prensa é a maior produtora argentina de papel para jornal, e é controlada pelo Grupo Clarín, pelo La Nación e pelo Estado. Segundo o governo, as ações da empresa foram compradas durante a ditadura militar, na década de 1970, depois que os antigos proprietários foram torturados, caracterizando transação ilegal.

Os dois veículos não negam que os primeiros donos da Papel Prensa foram vítimas de tortura, porém alegam que a intenção do governo argentino é a de controlar a empresa e a produção de papel e, dessa forma, submeter "o jornalismo independente até levá-lo a uma convivência dócil com o poder".

Organizações que defendem a liberdade de expressão declararam que o ataque à Papel Prensa poderia ser uma forma de o Estado intervir nas operações de importação do papel para impressão de jornal no país.

Atualmente, alguns veículos de imprensa, para reduzir custos, têm optado em importar o material. A Argentina poderia taxar a importação do papel e, ao mesmo tempo, controlar a Papel Prensa, fazendo com que os 170 jornais abastecidos pela produtora dependessem do governo.

Na última quarta-feira (18), o CEO do Grupo Clarín, Hector Magnetto, já havia desmentido as informações de que a companhia teria adquirido a Papel Prensa de forma irregular.

Em 2009, o Congresso argentino aprovou a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, criticada pelos opositores do governo Kirchner por ter sido criada como uma forma de a presidente controlar a mídia no país.

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