Goulart de Andrade volta à ativa com programa na TV Gazeta
Goulart deAndrade está de volta à TV Gazeta. Dessa vez, acompanhado de alunos daFaculdade Cásper Líbero, revisita pautas que apurou durante os anos 70 e 80.
“Vamos buscar uma história, matéria, reportagem feita há trinta anos. Os alunos da faculdade atualizam e depois a gente discute o futuro. O modelo foi proposto pelo próprio Andrade no ano passado a representantes da Fundação Cásper Líbero, entre eles, o superintendente-geral Sérgio Felipe dos Santos. Bem recebida, a ideia do jornalista - que tem cerca de 15 mil horas gravadas na cinemate cabrasileira - foi aprovada.
Crédito:Marcelo Ferrelli Goulart de Andrade de volta à TVGoulart ofereceu 40 reportagens para que a equipe de produção do programa selecionasse quais seriam trabalhadas. “A gente dá liberdade a eles. Eu não sou o professor, sou um colega”. Entretanto, a direção do programa pediu para que o jornalista fosse junto com os alunos aos locais das pautas, pois sua experiência os ajudaria.
PROGRAMA DE ESTREIA
O hospital psiquiátrico Juqueri é o cenário que vai ao ar nesta segunda-feira (12), data da estreia. Quando expostas pela primeira vez no programa “Comando da Madrugada”, o local abrigava pessoas com problemas de saúde mental em estado de abandono. Goulart se surpreendeu com as mudanças no local. “O que eu vi lá eram escombros daquilo que vi há trinta anos porque os pacientes já não existiam. Não consegui captar nenhum som, mas fiquei um pouco frustrado de não poder trazer de volta aquela gente que eu encontrei. Emoção maior foi olhar os pátios vazios e lembrar que ali tinha uma população miserável, doente. Aquilo era chamado de depósito de gente e hoje é depósito de fantasmas, almas”.
O programa também procurará fazer uma projeção de como estarão os temas das reportagens no futuro. “Em alguns temas, isso não cabe. Para uma matéria sobre o circo, talvez uma pergunta a um dos profissionais: ‘o circo vai morrer? Vai acabar essa coisa?’ Porque a tendência é você enxergá-lo como uma coisa que era romântica e que não cabe mais nesse mundo de hoje. Mas será que não?”
A TÉCNICA
Goulart importou à TV brasileira padrões estéticos utilizados no cinema. Desde o tempo em que trabalhou no “Globo Repórter”, durante os anos 70, evitava edições mirabolantes, “OFFs” e trilha sonora. De acordo com o jornalista, a técnica não apenas economiza o trabalho de edição, como insere a audiência no ambiente desua pauta. “Não tem truque. A audiência não se sente lesada. Cortes para cá, paralá e mil edições. Nada disso, tem que ser honesto. O telespectador olha o repórter que entrou naquele lugar e vai junto com ele. Esse é o encantamento que eu imagino que passe pelo espectador”.
Também frisa a necessidade do som ambiente veiculado como ele é na matéria. “A maioria das pessoas acha que pode enriquecer o produto botando uma música. Eu sou contrário. Eu acho que o som ambiente é mais um elemento de identificação daquilo que você está querendo mostrar”.
*Com supervisão de Thaís Naldoni






