Glossário esclarece termos para auxiliar cobertura imparcial do conflito Israel-Palestina

Manual está disponível para download em três línguas - inglês, árabe e hebraico

Atualizado em 08/08/2014 às 15:08, por Alana Rodrigues*.

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI, na sigla em inglês) acaba de lançar o glossário "Use With Care: A Reporter’s Glossary of Loaded Language in the Israeli-Palestinian Conflict" (Use com cuidado: Um Glossário da Linguagem controversa no conflito Israelense-Palestino).

Crédito:Divulgação Naomi Hunt, editora-chefe do livro do glossário, defende cobertura neutra do conflito
O "guia", disponível para download em três línguas — inglês, árabe e hebraico — tem o objetivo de esclarecer os termos mais indicados para reportar o conflito na tentativa de evitar armadilhas linguísticas que possam incitar o ódio ou perpetuar estereótipos.

Naomi Hunt, editora-chefe do livro e integrante do IPI, explica que a entidade já trabalhava há algum tempo em um projeto para debater a questão da liberdade de imprensa em Israel, na Cisjordânia e em Gaza. Durante a elaboração de um relatório, jornalistas da área sugeriram uma publicação com termos para auxiliar os profissionais a evitarem expressões “carregadas” e encontrar alternativas mais “neutras”.

“O ponto central é que a linguagem em reportagens, o que envolve imagens, escolha das fontes, bem como a estrutura, afeta a maneira que o público percebe o conflito e os "lados" dele. Precisão é fundamental”, esclarece.

Mão na massa

O trabalho foi desenvolvido ao longo de meses por seis profissionais que atuam na região — três israelenses e três palestinos. Segundo o IPI, a identidade deles não foi revelada por motivos de segurança. Alguns já trabalharam para o Instituto e outros foram recomendados por atuarem em um tempo razoável com o tema.

“Tivemos uma mistura de jornalistas que tinham trabalhado para a mídia local e internacional, alguns que trabalharam para a mídia mais de esquerda ou mais populares, embora nenhum, como se poderia esperar, veio de mídia muito de direita”, relata Naomi.

Crédito:Reprodução Entidade recomenda uso com cuidado do glossário
Para completar o resultado final, o IPI mediou o diálogo e a troca de termos dos jornalistas, bem como explicações e definições. Além disso, os verbetes passaram por diversas versões preliminares para ajustar a tradução realizada por linguistas profissionais.

A editora pondera que, enquanto repórteres se esforçam para passar neutralidade em seus trabalhos, alguns pesam nas expressões, principalmente em artigos de opinião. ”Infelizmente, isso pode ajudar a perpetuar uma narrativa diferente, na qual há o risco de demonizar um lado e glorificar o outro”.

A jornalista, que também ajudou a elaborar o relatório para missão de paz da IPI, iniciado em fevereiro de 2013, ressalta que o Instituto acredita ser extremamente importante a liberdade de circulação de jornalistas entre Israel, Cisjordânia e Gaza.

O relatório apresentado pelo Instituto, baseado em entrevistas com mais de 50 jornalistas, destaca que a falta de livre circulação de jornalistas emerge como o maior desafio para reportagens locais sobre o conflito israelense-palestino.

Impasse

A maioria dos profissionais palestinos é impedida de entrar em Israel e está sujeita a restrições, mesmo dentro da Cisjordânia, enquanto os residentes de Gaza, têm problemas em deixar o local. Jornalistas israelenses, por sua vez, são incapazes de visitar a Faixa e podem enfrentar empecilhos na Cisjordânia. Situação que impossibilita mostrar todos os lados do conflito, alerta o relatório.

"Para os jornalistas fornecerem matérias precisas, que também mostrem um lado humano, é importante que eles sejam capazes de ir até onde as histórias acontecem. Jornalistas ajudam na forma como o público percebe o conflito e como percebem o 'outro'", acrescenta Naomi.

O manual “Use com cuidado: Um Glossário da Linguagem controversa no conflito Israelense-Palestino” pode ser baixado por meio do .

Para entender o conflito

Desde o começo do século XX a ideia de criar um estado judeu no Oriente Médio vem gerando conflitos. Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) dividiu a Palestina em duas partes: uma para os judeus e outra para os árabes. A insatisfação levou à guerra. Agora, depois de quase 30 dias de outro conflito com mais de 1900 mortos, israelenses e palestinos aceitaram uma nova trégua intermediada pelo Egito. O cessar-fogo, que começou na última terça-feira (5/8), foi adotado depois de os palestinos atacarem Jerusalém e Israel bombardear escolas da ONU em um campo de refugiados.

Acompanhe alguns verbetes:

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.