Glenn Greenwald diz que há cópias de documentos confiscados pela polícia inglesa
O jornalista britânico do The Guardian, Glenn Greenwald, disse que existem cópias de todos os documentos apreendidos pela polícia inglesa. Omaterial foi confiscado quando seu companheiro, o brasileiro David Miranda, foi detido e interrogado em Londres no último domingo (18/8).
"Tinha agentes inspecionando os passaportes, um agente pegou meu passaporte, olhou pro meu rosto, me pediu para seguir ele, e outro agente que estava dando uma olhada nos passaportes também veio junto e fomos diretamente à sala em que eu fiquei durante 9 horas”, relatou David.
"Comecei a perguntar meus direitos. Se vocês forem me deter, em que tipo de lei se baseavam para me manter aqui. E eles falaram que foi na lei do terrorismo 2000 da Inglaterra. Perguntaram sobre os protestos aqui no Brasil, sobre meu relacionamento com Glenn, perguntaram sobre a minha família, meus amigos. Nenhuma pergunta sobre terrorismo. Nenhuma. Perguntaram qual meu papel nessa história da NSA, dos documentos. Eu expliquei que não tenho envolvimento direto com esses documentos, não trabalho com eles”, explicou.
David disse que foi ameaçado o tempo todo. '[Diziam] 'Se você não responder isso, você pode ir pra cadeia'. Para mim, mesmo sendo assustador, eu consegui segurar a situação. Imagina um brasileiro que é preso nove horas numa forma dessa, cara, acho que você quebra uma pessoa, entendeu? Você quebra ela em todos os sentidos. A pessoa fica com muito medo. Não houve nenhuma violência física contra mim, mas você pode ver que foi uma violência psicológica fantástica”, acrescentou.
De acordo com o G1, o jornal inglês pagou a viagem do brasileiro à Alemanha. David foi até Berlim com o objetivo de entregar os arquivos para a documentarista Laura Poitras e trazer para Glenn os documentos eletrônicos enviados por Snowden.
Ambos afirmaram que possuem cópias de todos os arquivos. "Eles não podem destruir nada. Eles podem tomar documentos todo dia e vamos sempre ter muitas cópias de todos", disse o jornalista, que negou se sentir intimidado com o episódio. “Eu nunca disse nada que vou punir ninguém ou vou buscar vingança. Vou publicar só para mostrar ao mundo a informação que população do mundo deve saber”, concluiu.





