Gesto de Nobreza / Por Thaís Ferreira - UniUberaba (MG)

Gesto de Nobreza / Por Thaís Ferreira - UniUberaba (MG)

Atualizado em 01/07/2005 às 15:07, por Thaís Ferreira estudante de jornalismo da Universidade de Uberaba.

Por A Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro desenvolve o projeto "Vida pela Vida" , uma campanha permanente, que tem como objetivo promover a doação de órgãos e tecidos e conscientizar a população de que a doação de órgãos é a possibilidade de vida para milhares de pessoas com insuficiências orgânicas e terminais.

O objetivo é incentivar a sociedade e a população como um todo pricipalmente em Uberaba, e as 27 cidades que são subordinadas a regional de saúde de Uberaba. "Nós vamos levar esse projeto para concientizar, sensibilizar fazer com que as pessoas formem opiniões a respeito da doação de órgãos e tecidos é um gesto de solidariedade, um gesto de nobreza, de amor e de dircenimento", explica Ilídio Antunes de Oliveira Júnior. Coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Doação, Captação e Transplante de Órgãos e Tecidos.

O Coordenador da Comissão acredita que o trabalho deve ser iniciado com crianças. "Essa conciência ela tem que ser formada na base. A base são as escolas de ensino fundamental, básico e superior. Se a gente conseguir chegar nessas pessoas, estudantes e universitários a conciência e importância sobre a doação de órgãos, essas pessoas fomarão opiniões e serão divulgadoras dessas opiniões. Porque a pessoa que já esta adulta ja tem uma opinião formada e as vezes equivocadamente. Então a criança sendo esclarecida, ela pode atuar como multiplicadora". Afirma Ilídio Antunes
Aproximadamente 65 mil pessoas no país esperam por uma transplante para viver. Em Uberaba, 150 pessoas aguardam na fila de espera.A carência de órgãos para transplante é enorme. A princípio, tudo pode ser doado: órgãos (rim, coração, pulmão, fígado, pâncreas) tecidos (córnea, osso, pele e medula óssea).
O transplante de órgãos e tecidos tem o objetivo em alguns casos (coração, fígado, pulmão e medula óssea) de salvar vidas, pois é a única alternativa, mas em todas as situações oferece a posssibilidade de uma vida com melhor qualidade do que outros tratamentos. "São pessoas que vão exergar melhor através de um transplante de córnea, pessoas que vão ficar ausentes de uma hemodiálise, através de um transplante de rim, pessoas que vão poder subir escadas, passear com seus filhos porque tem um coração mais forte, são diabéticos que tem uma qualidade de vida ruim porque precisam tomar insulina três, quatro vezes por dia, e a partir do momento que recebe o transplante de pâncreas o diabetes pode ser curado. Então a importância da doação de órgãos é fundamental. E eu entendo particularmente que a única maneira de aumentar o número de transplante no Brasil nesse momento é aumentando a doação de órgãos, respeitando obviamente a religião, a fé, a crença e a posição de cada família, de cada cidadão", avalia Ilídio Antunes de Oliveira Júnior.

De acordo com a legislação brasileira sobre transplantes, a doação só ocorre com o consentimento da família após a confirmação da morte encefálica (morte do cérebro). Quando isso acontece, a parada cardíaca e inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com a morte cerebral não respira sem aparelhos e o coração não baterá por muito tempo. Neste caso, para que a doação efetivamente ocorra, a família do doador deverá solicitar a direção do hospital do Estado onde o paciente está internado para que informe a existência do diagnóstico de morte cerebral à Central de Notificação, Captação e Distruibuição de Órgãos - CNCDO, que tomará as providências necessárias. O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar. "Agora mesmo quando a pessoa tenha manifestando o desejo em vida, e a família não quiser doar, nós respeitamos o desejo da família e esse órgão não vai ser doado", afirma Ilídio Antunes de Oliveira Júnior.

"A pessoa no momento de dor e um infortuno qualquer ela é avisada que seu ente querido faleceu ou até mesmo teve uma morte encefálica já confirmada. Nós solidarizamos nesse momento de dor. Só que quando chega num momento desse é porque nós médicos já lutamos pela vida até chegar nesse momento com todos os recursos humanos e tecnológicos disponíveis. E quando isso acontece nós também temos que pensar nas outras pessoas que estão doentes e precisam se tratar mas especificamente das suas patologias, sendo realizado o transplante nós vamos dar mais qualidade de vida a essas pessoas. "É muito fácil quando você tem um amigo e atender o que o amigo precisa. Mas o que dá mais retorno a vida quando você ajuda as pessoas faz alguma coisa pelo outro sem saber quem é, se é preto, branco, rico ou pobre", finaliza Ilídio.