Geneton Moraes Neto fala sobre a “arte de entrevistar”
A última coisa que o jornalista pernambucano Geneton Moraes Neto quer ser é chefe. Funções administrativas lhe chateiam profundamente. Em 40anos de carreira, já foi editor do “Jornal da Globo” e chefiou o escritório da Globo em Londres.
Atualizado em 01/04/2013 às 14:04, por
Luiz Gustavo Pacete.
Mas confessa que não tem a menor vocação para tais funções. “Prefiro jogar dinheiro fora a ocupar qualquer cargo desse tipo. É dez mil vezes melhor entrevistar um flagelado da seca do que ficar em uma sala de reunião decidindo pautas.”
Com início de carreira prematura, aos 16 anos no suplemento infantil do Diário de Pernambuco, Geneton especializou-se em entrevistas. Já fez perguntas a Jorge Amado, Mário Quintana, Lula, Caetano Veloso e José Saramago, entre outras figuras. Todas sempre bem guardadas e com potencial para se transformarem em futuros documentários, assim como o que foi exibido em fevereiro no canal Globo News, o “Garrafas ao Mar”, sobre a vida do colega e amigo Joel Silveira.
Leonardo Rozário Geneton Moraes Neto Radical quando está em jogo o uso da língua portuguesa, Geneton critica a falta de respeito dos colegas pela palavra escrita. Para ele, o culto excessivo ao lead e à instantaneidade empobreceu o texto jornalístico. “Atenção, editores, proprietários de jornais e repórteres, não seria hora de voltar a cultivar o texto? O jardim do texto jornalístico brasileiro murchou. Ficou chato e sem graça. Como o Paulo Francis dizia, nossa imprensa está previsível e empolada”, avisa Geneton.
À IMPRENSA, ele fala sobre o mundo do poder, admite que é comum pagar para conseguir determinadas entrevistas fora do Brasil. Explica qual foi a repercussão interna da entrevista do ex-diretor geral da TV Globo, o Boni, quando o ex-executivo confirmou que havia dado dicas para Fernando Collor no debate de 1989 e lembra do dia em que conheceu a barreira existente entre a realidade e o discurso oficial.
IMPRENSA – Você acha que se tornou jornalista por vocação? Geneton Moraes Neto - Sempre digo que não sei exatamente por qual motivo virei jornalista. Meu pai e meu avô eram fazendeiros. Ou seja, nenhum incentivo que viesse de casa. Ao decidir entre história e jornalismo, fiquei com a segunda opção. Antes de entrar na universidade eu já escrevia para o suplemento infantil do Diário de Pernambuco. Um dia me lembro que visitei a redação e tive um impacto olfativo e visual de um jornal de verdade. O barulho das máquinas. Todo mundo fumando. Algo que me marcou muito.
Uma de suas primeiras entrevistas foi com o Caetano Veloso. Ele te intimidava? Eu tive uma decepção, achava que ele fosse muito maior do que era pessoalmente. Mas não senti intimidação. Ele tinha acabado de voltar do exílio, e eu fiz perguntas sobre todo tipo de assunto. Perguntei sobre controle de natalidade, pena de morte. Coisas que não tinham nada a ver com música. Ele pacientemente me respondeu todas. Mas não teve esse negócio de ficar embasbacado diante de uma celebridade. Eu tenho minhas admirações, mas não tenho essa coisa de ficar impressionado.
Leia a entrevista completa na edição de março (288) de IMPRENSA.

Com início de carreira prematura, aos 16 anos no suplemento infantil do Diário de Pernambuco, Geneton especializou-se em entrevistas. Já fez perguntas a Jorge Amado, Mário Quintana, Lula, Caetano Veloso e José Saramago, entre outras figuras. Todas sempre bem guardadas e com potencial para se transformarem em futuros documentários, assim como o que foi exibido em fevereiro no canal Globo News, o “Garrafas ao Mar”, sobre a vida do colega e amigo Joel Silveira.
Leonardo Rozário Geneton Moraes Neto Radical quando está em jogo o uso da língua portuguesa, Geneton critica a falta de respeito dos colegas pela palavra escrita. Para ele, o culto excessivo ao lead e à instantaneidade empobreceu o texto jornalístico. “Atenção, editores, proprietários de jornais e repórteres, não seria hora de voltar a cultivar o texto? O jardim do texto jornalístico brasileiro murchou. Ficou chato e sem graça. Como o Paulo Francis dizia, nossa imprensa está previsível e empolada”, avisa Geneton.
À IMPRENSA, ele fala sobre o mundo do poder, admite que é comum pagar para conseguir determinadas entrevistas fora do Brasil. Explica qual foi a repercussão interna da entrevista do ex-diretor geral da TV Globo, o Boni, quando o ex-executivo confirmou que havia dado dicas para Fernando Collor no debate de 1989 e lembra do dia em que conheceu a barreira existente entre a realidade e o discurso oficial.
IMPRENSA – Você acha que se tornou jornalista por vocação? Geneton Moraes Neto - Sempre digo que não sei exatamente por qual motivo virei jornalista. Meu pai e meu avô eram fazendeiros. Ou seja, nenhum incentivo que viesse de casa. Ao decidir entre história e jornalismo, fiquei com a segunda opção. Antes de entrar na universidade eu já escrevia para o suplemento infantil do Diário de Pernambuco. Um dia me lembro que visitei a redação e tive um impacto olfativo e visual de um jornal de verdade. O barulho das máquinas. Todo mundo fumando. Algo que me marcou muito.
Uma de suas primeiras entrevistas foi com o Caetano Veloso. Ele te intimidava? Eu tive uma decepção, achava que ele fosse muito maior do que era pessoalmente. Mas não senti intimidação. Ele tinha acabado de voltar do exílio, e eu fiz perguntas sobre todo tipo de assunto. Perguntei sobre controle de natalidade, pena de morte. Coisas que não tinham nada a ver com música. Ele pacientemente me respondeu todas. Mas não teve esse negócio de ficar embasbacado diante de uma celebridade. Eu tenho minhas admirações, mas não tenho essa coisa de ficar impressionado.
Leia a entrevista completa na edição de março (288) de IMPRENSA.






