General norte-americano renuncia após criticar governo dos EUA em entrevista
General norte-americano renuncia após criticar governo dos EUA em entrevista
*Atualizada às 15h40
O comandante das tropas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, renunciou ao cargo após se reunir com o presidente norte-americano Barack Obama, no começo da tarde desta quarta-feira (23). O general foi chamado à prestar depoimento à Casa Branca após conceder entrevista à revista Rolling Stone em que faz duras críticas ao governo.
O encontro com o presidente dos EUA durou pouco mais de meia-hora e aconteceu após McChrystal se reunir com o secretário de Defesa, Robert Gates, e com o chefe de Estado Maior, o almirante Mike Mullen, seus superiores no Pentágono.
Após a renúncia do general, Obama elogiou sua contribuição na ocupação americana no Oriente Médio e sublinhou que McChrystal está entre os "melhores militares do país" e que "todos os americanos devem agradecer aos seus serviços", segundo as agências Reuters e AP.
No entanto, de acordo com a CBS News, Obama ressaltou que as declarações do general à revista estavam em desacordo com sua patente.
Em sua carta de renúncia, o general declarou que optou por deixar o cargo porque queria "ver a missão americana no Afeganistão continuar com sucesso.
O chefe do Comando Conjunto Central do Exército dos EUA, o general David Petraeus, foi indicado para ocupar o cargo.
Supreso com tanto "barulho"
O repórter Michael Hastings, autor da reportagem que culminou na renúncia de McChrystal, declarou à revista Newsweek que está chocado com a repercussão da matéria, sobretudo pelo fato do tema "Afeganistão" não ser uma das principais pautas da imprensa norte-americana.
"Na verdade, eu estou chocado com a resposta. Porque nós geralmente acabamos ignorando o Afeganistão, então estou surpreso que esteja criando tanto barulho", disse Hastings antes da notícia da renúncia do general.
Antecipando-se à possibilidade de McChrystal deixar o cargo, o repórter avaliou que a decisão seria prejudicial aos EUA em razão da proximidade do militar com o presidente afegão Hamid Karzai.
"O general McChrystal e sua equipe têm uma visão muito pragmática em relação a Karzai", declarou o jornalista ao sublinhar que o substituto do general terá dificuldades para se relacionar com o presidente do Afeganistão.
O repórter acompanhou o general por cerca de um mês. Durante este período, McChrystal passou por Paris, Berlim, Cabul, Kandahar e Washington. Hastings afirmou, ainda, que o militar tinha conhecimento de que ele o acompanhava para fazer uma entrevista e que, para isso, fazia anotações e gravava algumas conversas.
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