Gêmeos graffiteiros conquistam público brasileiro e estrangeiro

Gêmeos graffiteiros conquistam público brasileiro e estrangeiro

Atualizado em 08/08/2008 às 19:08, por Adriana Douglas/Redação Portal IMPRENSA.

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Quando o assunto é quebrar o cinzento que colore a cidade de São Paulo, desenhos surreais e coloridos surgem em muros de diversos bairros acostumados com a cor padrão. Armados com latas de spray e tinta, os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como osgemeos, fazem do graffiti o responsável por embelezar a metrópole, com uma pitada de crítica social.

Criados no bairro do Cambuci, desde pequenos brincavam e desenhavam juntos. Em 1987, início do movimento artístico em São Paulo, tiveram seu primeiro contato com o estilo e desde então, nunca mais pararam. "Foi fácil começar a fazer graffiti juntos", diz Gustavo, que produz todas as obras em parceira com Otávio.

Cortesia Galeria Fortes Vilaça

Vindo dos Estados Unidos, o tipo de desenho se espalhou pelo mundo com o conceito de arte urbana e, com o tempo, ganhou seus próprios traços no Brasil. No caso dos gêmeos, de 34 anos, o estilo em que cada obra é feita sempre muda, trazendo histórias diferentes. Essa liberdade influencia, inclusive, a escolha dos locais em que executam a arte. "A gente sai, encontra algum lugar que tem a ver com a nossa maneira de pintar e pronto. Geralmente, são lugares detonados, que estão com a parede degradada ou que não estejam limpos.", explica. A brasilidade do trabalho da dupla encantou o público estrangeiro, sendo Nova York (EUA) o local de sua primeira exposição.

Em 2006, passaram a exibir, oficialmente, sua arte no Brasil. Na opinião de Gustavo, há, no máximo, cinco ou seis artistas brasileiros em ação na arte do graffiti. "Graffiti, pra mim, é quem está na rua e não em galeria" afirma, apesar de terem levado as obras para muitas galerias no exterior e no Brasil.

Cortesia Galeria Fortes Vilaça

O motivo de exibir em lugares fechados foi que começaram a explorar outros meios artísticos, como a escultura e montagem. E explica: "Não é porque a gente faz graffiti na rua que vamos levar pra dentro de uma galeria pra expor. Acho que o lugar de expor graffiti é na rua, não tem outro lugar. Galeria de arte é outra história."

No primeiro semestre de 2008, um dos graffitis de Otávio e Gustavo foi alvo da Lei Cidade Limpa. Na ocasião, o desenho foi apagado com tinta cinza, deixando a parede sem nenhum vestígio das cores da obra. "É ridículo. São Paulo tem graffiti há mais de 20 anos, já faz parte da história da cultura da cidade.", afirma, inconformado com a situação. Mas acredita que "a cena vai mudar, é o que a gente espera."

Cortesia Galeria Fortes Vilaça

Gustavo chegou a comentar sobre o episódio de um aluno da universidade Belas Artes, que pichou as paredes da instituição como expressão artística, representando seu trabalho de conclusão de curso. "Qualquer forma de expressão é uma forma de arte. Mas às vezes o conceito é meio elitizado, com preconceito do que é arte, sem uma visão crítica das coisas.", reitera. O aluno, na ocasião, foi expulso e reprovado.

Se para alguns ainda resta dúvida quanto à diferença entre pichação e graffiti, Gustavo acha que, atualmente, não há como confundir. Tanto é que garantiu que a polícia não reprime o trabalho de graffiteiros. Em todo caso, os irmãos mantém um acervo de obras em exposição na Galeria Fortes Vilaça, no bairro de Pinheiros.

Cortesia Galeria Fortes Vilaça

Com a agenda cheia para o segundo semestre deste ano, os gêmeos estão escalados para uma exposição inédita no Museu de Arte Contemporânea do Japão em outubro. Mesmo com as viagens frequentes para fora do Brasil, eles garantem sempre a presença pelos muros monótonos de São Paulo.