Garoto do programa

Garoto do programa

Atualizado em 07/07/2010 às 19:07, por Karina Padial e  da reportagem.

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Serginho Groisman comemora, em 2010, 60 anos de idade, 20 no comando de programas de auditório e dez de "Altas Horas", seu atual programa na Rede Globo. De um contato tão próximo com os jovens, absorve a energia e a espontaneidade, características de seu modo de conduzir as gravações do programa. "Eu os considero [os adolescentes] meio que jornalistas sem chefe. Eles não têm muito a quem prestar contas", afirma Groisman à revista IMPRENSA, em matéria publicada na edição de junho (nº 258, pág. 34).

Em tempo de comemoração, Serginho apresenta uma série de planos e, para o programa, novos quadros. Entre eles está o "Na minha adolescência", no qual celebridades contam como foi sua juventude. Inspirada pelo quadro, a equipe de IMPRENSA convidou o apresentador para que falasse da própria adolescência, durante a entrevista que concedeu em sua bagunçada sala nos estúdios da Globo. Escute o áudio e leia abaixo links com depoimentos de Serginho Groisman que não saíram na versão impressa da revista IMPRENSA:

Experiência com o documentário "Fiel"

"Foi a minha primeira experiência no cinema. Eu tinha acabado de escrever o livro e eles estenderam o convite para roteirizar o filme, junto com o Marcelo Rubens Paiva. Mas o roteiro de um documentário é apenas uma ideia porque ele vai muito no imprevisto, no imprevisível. Tinha um fato ali: a queda para a Série B e a volta para a Série A, mas queríamos fazer um filme que homenageasse a torcida. Então, o que pensamos? Fazer um filme inteiro no qual não existisse nenhum narrador que não fosse a torcida. Por isso, tudo é contado por ela. A narração não tem locutor, jornalista, diretoria, famosos. Foi uma experiência bem bacana."

De volta às aulas

"Voltar para a FAAP [Serginho é formado em jornalismo pela instituição] para dar aula foi uma experiência meio vingativa do que passei como aluno. Eu queria que o curso fosse bom e tive liberdade de organizar o meu curso e os meus critérios. Alguns deles eram meio estranhos. Primeiro eu reunia todo mundo e falava que eles iriam me avaliar no final de cada mês porque tive professores que achei muito ruins, que não eram avaliados por ninguém, e como quem frequenta as aulas são os alunos, a maioria deles sempre vai ter razão. Também falei que por falta ninguém ia ser reprovado porque eles estavam numa faculdade paga, tinham mais de 18 anos e que, por conta disso, eu não ia ficar determinando a vida de ninguém. Ainda tinha uma auto-avaliação que os alunos faziam e que eu confrontava com aquilo que eu tinha avaliado. Teve um aluno que achou que devia repetir de ano. Ele falou: 'Olha, eu acho que eu preciso repetir mesmo porque foi uma porcaria'."

Diploma de jornalismo

"Eu trabalhei, fiz muitos frilas, inclusive na Folha . E lá eu vi que tinha gente, por exemplo, o repórter que fazia esporte, e na época tinha turfe, ele não era jornalista, mas sabia tudo dessa modalidade, de todos os cavalos, jóqueis. Então, eu acho que uma pessoa que conhece música maravilhosamente e escreve bem pode ter um espaço no jornal. Eu não tenho dúvidas sobre isso. Mas acho também que o jornal não deve buscar só um talento que está pronto e o talento que não está pronto sai da faculdade. Poderia ter um percentual, sei lá qual, da redação sendo feita por pessoas que estudaram, que têm vontade e energia, e outro de pessoas que sabem exercer bem a profissão independente da faculdade. Acho que tem que ter uma mistura."

Twitter como Ibope

"O meu Twitter não trata de coisas pessoais. Uso um pouco para divulgar as coisas que faço, um pouco como diversão, um pouco como reflexão e tenho usado muito para o programa. Com o Twitter eu faço uma coisa meio maluca: quando o 'Altas Horas' está no ar, exatamente naquele momento, eu peço para as pessoas comentarem sobre ele. Daí vem centenas de mensagens: 'essa banda é uma bosta', 'essa banda é legal', 'olha essa roupa como está'... Eu tenho o Ibope mais qualificado porque as pessoas vão falando tudo. É muita gente falando ao mesmo tempo. Eu tenho usado assim. Dou algumas opiniões que não são pessoais, mas falo sobre política, esporte. Tenho também um blog à disposição mas não tenho tido tempo de atualizá-lo e quando você começa, não pode parar. Eu tenho muita vontade de expressar o que penso e coisas que não dão para falar no programa porque são muito pessoais."

Leia a matéria completa na edição 258 de IMPRENSA
Assinantes da Revista Imprensa podem ler a revista na íntegra na web.
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