Ganhador do Prêmio World Press conta como foi atuar nos conflitos do Iêmen

Aos 33 anos, o jovem fotógrafo espanhol Samuel Aranda, que atua profissionalmente desde os 19, já colaborou para veículos importantes de seupaís como os jornais El País e El Periodico de Catalunya .

Atualizado em 13/06/2012 às 16:06, por Luiz Gustavo Pacete.


Samuel Aranda Iêmen

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Com apenas dois anos de carreira, Aranda viajou para o Oriente Médio. Na ocasião, foi cobrir o conflito palestino-israelense para a agência EFE. Mal sabia que a atuação nessa região determinaria os rumos de sua jornada.

Samuel Aranda
Foto ganhadora do Word Press 2012

Desde então, especializou-se em conflitos na Espanha, Paquistão, Gaza, Líbano, Iraque, Palestina, Marrocos e China. Em 2006, Aranda começou a ser reconhecido por seu trabalho. Venceu o Prêmio Nacional de Fotografia espanhol pelo material produzido sobre imigrantes africanos e suas imagens ganharam destaque também em um documentário da BBC.


No mesmo ano em que foi premiado, Aranda começou uma carreira independente e investiu ainda mais em projetos pessoais. Registrou imagens do Mar de Aral no Uzbequistão, problemas sociais na Índia, independência do Kosovo, África do Sul pré-Copa do Mundo, conflitos na Colômbia e a máfia Camorra, em Nápoles.


No ano de 2011, o despertar da primavera árabe, iniciado na Tunísia, atraiu o fotógrafo e marcou mais uma vez sua carreira. Aranda acompanhou os conflitos também no Egito, Líbia e Iêmen. Este último lhe rendeu o World Press Photo 2012 por uma imagem feita da revolta iemenita.


Aranda esteve no Brasil para falar sobre seu trabalho e conversou brevemente com IMPRENSA.


Samuel Aranda: Momento religioso no Iêmen

IMPRENSA – O que representa ganhar esse prêmio?

Samuel Aranda – É uma honra muito grande e ajuda muito que o Iêmen volte às notícias. Este é nosso trabalho: documentar. Creio que a visibilidade do prêmio vai contribuir para chamar a atenção dos problemas daquele país.


O que representa fotografar pessoas em situações de conflito?

Significa confiança mútua. Momento em que eles confiam em mim e eu confio neles. Somente desta forma é possível capturar momentos impactantes e difíceis. A emoção nesse caso é um aspecto relevante. O fotógrafo precisa controlar seu estado emocional para não comprometer o trabalho.


Em seu perfil na internet você sinala que utiliza as câmeras Nikon D700/800. Porque destaca isso? Qual o diferencial desse equipamento?

Gosto muito da qualidade que me oferece os equipamentos Nikon. E essas câmeras são pequenas de tamanho e permitem trabalhar com muita discrição. Eu particularmente sou conservador neste sentido e prezo pela qualidade técnica do meu trabalho.


Samuel Aranda Garota iemenita

Qual sua opinião sobre a tecnologia atual envolvendo fotografia? Seu trabalho mudou?

Sim, a fotografia digital mudou muito nosso trabalho. E é certo que é necessário adaptar-se, não há espaço para ficar lamentando. Não podemos ver somente de forma negativa as mudanças, mas entender o quanto elas têm contribuido para o trabalho dos fotógrafos atuais.


Qual foi o papel da fotografia na Primavera Árabe?

O Facebook e muitas outras redes sociais desenvolveram um papel muito importante nas revoluções porque fizeram com que todo mundo pudesse fazer público seus testemunhos e dramas, até então limitados e monitorados pelo governo.