Game em que jogador mata muçulmanos causa revolta entre religiosos
Game em que jogador mata muçulmanos causa revolta entre religiosos
Islâmicos de vários países expressaram revolta contra um jogo online que nomeia como vencedor aquele que matar o maior número possível de muçulmanos, incluindo até mesmo o profeta Maomé e Alá. Intitulado "Muslim Massacre" ("Massacre Muçulmano", em tradução livre), o game transforma o jogador em um soldado americano cuja missão é eliminar os indivíduos de tal religião.
"Por que algumas pessoas precisam inflamar ainda mais uma situação já tensa?", pergunta o editor do jornal Gulf News , publicado nos Emirados Árabes Unidos, Nicholas Coates. "Ainda há muitos muçulmanos se remoendo a respeito das caricaturas do profeta Maomé publicadas em um jornal dinamarquês", ressalta ele.
Segundo reportagem da BBC Brasil, supõe-se que o jogo tenha sido criado na Austrália, por um jovem que adota o pseudônimo de Sigvatr e que se diz inspirado na guerra contra o terror lançada pelo presidente americano George W. Bush. "Seria mera coincidência o jogo ter sido lançado durante o mês santo do Ramadã? Acho que não", afirma Coates. "Foi uma ação pensada para coincidir com o aniversário dos ataques de 11 de setembro? Provavelmente", conclui ele.
Como resposta à ofensa, uma associação de muçulmanos britânicos pediu que as autoridades tomem providências que levem ao fechamento do site. "Esse jogo glorifica a matança de muçulmanos no Oriente Médio e fazemos um apelo para que os provedores de acesso removam o site já que ele incita a violência contra os muçulmanos e tenta justificar o assassinato de pessoas inocentes", diz um comunicado da Ramadhan Foundation. "Encorajar crianças e jovens a matar muçulmanos em um jogo é inaceitável, de mau gosto e profundamente ofensivo", afirma o presidente da associação, Mohammed Shafiq. "Se existisse um jogo parecido, mostrando muçulmanos trucidando americanos ou israelenses, a indignação seria mundial", acrescenta.
Ainda na última segunda-feira (13), veículos de imprensa noticiaram que o site havia parado de disponibilizar o game, exibindo uma retratação no lugar. "Gostaria de pedir desculpas publicamente por qualquer ofensa que possa ter causado", dizia a mensagem na página, segundo a mídia australiana. "Minhas intenções quando lancei o projeto eram tirar sarro da política externa americana e da percepção comum nos Estados Unidos de que muçulmanos são hostis", acrescentava o texto. "Quero esclarecer que nunca compartilhei dessas crenças", finaliza.
A surpresa, no entanto, foi que na última quinta-feira (16), o jogo novamente disponível para os internautas, com os dizeres "Não seja um liberal! Baixe o jogo agora". Dessa vez, nenhuma atitude foi tomada pelas autoridades, mas algumas pessoas favoráveis ao jogo se manidestaram. O editor da revista online australiana Tech.borge , Dave Parrack, reconhece que o jogo é de mau gosto, mas questiona aqueles que o desejam proibido. "Defendo que, qualquer que seja a mensagem no centro do jogo, ele deve ter respeitado o seu direito de existir, meramente porque, ao pedir para que ele seja proibido, se pede também para que a internet seja censurada", diz Parrack.
Já o vice-reitor da Universidade Internacional do Egito, Hamdy Hassan, aponta para o potencial explosivo que o game pode ter na mente de muitas pessoas do mundo árabe. "Essa é a expressão de um ponto de vista radical", afirma Hassan. "Ele [o jogo] mostra a animosidade que alguns ocidentais têm para com os muçulmanos e vai certamente contribuir para o aumento das hostilidades entre os dois lados, ao invés de diminui-las", acrescenta.
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