Gabriel Priolli analisa a cobertura do futebol no Brasil

Gabriel Priolli analisa a cobertura do futebol no Brasil

Atualizado em 04/11/2004 às 17:11, por Thaís Naldoni.

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Gabriel Priolli, jornalista, crítico, professor e diretor geral da TV PUC - São Paulo, em entrevista para a Revista Imprensa, analisa a cobertura da imprensa brasileira sobre o esporte mais popular do país: o futebol. Acompanhe.

Revista Imprensa - Como deve ser a, na sua opinião, a cobertura do futebol pela mídia brasileira? Deve ser feita de forma apaixonada, com expressões próprias dos torcedores ou deve seguir o padrão jornalístico tradicional?

Gabriel - A cobertura deve ser emocionada. É isso o que o espectador quer. O espectador não vai querer uma narração fria, indiferente. No entanto, é preciso conter o exageros e não fazer uma narração empolgante em um jogo morno, por exemplo. Mas, de um modo geral, a cobertura dos jogos de futebol no Brasil é bem feita.

Revista Imprensa - A cobertura do futebol nos jornais diários é bairrista?

Gabriel - É bairrista sim, mas isso é natural. Os jornais acabam dando enfoque aos times da sua região, do seu estado. Essa é uma característica, só não pode é levar o jornal a uma leitura distorcida do jogo em questão.

Revista Imprensa - O leitor, telespectador, ouvinte, têm interesse na política desportiva? Eleição de cartolas, projetos de Lei em tramite no Senado e na Câmara chamam a atenção?

Gabriel - Muito menos do que os meios de comunicação acreditam. Há veículos que preferem mais dar ênfase à política desportiva, do que aos jogos, lances e resultados e é isso que o amante do futebol quer. É interessante saber da política até certo ponto, mas o que se quer mesmo, é saber dos lances, dos gols, do futebol.

Revista Imprensa - Qual a sua opinião sobre as notícias do futebol nos jornais diários e especializados em esportes?

Gabriel - Todos os jornais, na minha opinião, fazem um texto burocrático, sem emoção. Hoje, o repórter nem tem espaço para falar sobre o que ele viu, a emoção do jogo. Então, acaba dando a impressão de existe um esquema de texto que todos usam. Nada de diferente, tudo muito frio.