Futebol quântico, por Rodrigo Viana
Crédito:Leo Garbin No último campeonato paulista de futebol, a ordem se inverteu. Dois times considerados “pequenos” foram a sensação.
Atualizado em 02/05/2014 às 16:05, por
Rodrigo Viana.
Crédito:Leo Garbin No último campeonato paulista de futebol, a ordem se inverteu. Dois times considerados “pequenos” foram a sensação. Primeiro o Ituano, que se sagrou campeão em cima do todo-poderoso Santos. Mas, quem chamou a atenção foi um time sediado em Osasco, o Audax, cujo nome provém do latim e significa audacioso.
Audacioso pela forma de jogar. Não há chutão. Jogadores trocam de posição a todo o momento. A bola passa de pé em pé numa clara inspiração no Barcelona de Pep Guardiola, que, por sua vez, implantava no time da Catalunha o chamado “Futebol Total”: sistema em que os jogadores saem constantemente de suas posições de jogo originais e são substituídos por outros, sem perder a sua estrutura. Desta maneira, o atleta não tem uma posição: qualquer um pode ser o zagueiro ou o atacante.
As origens do “Futebol Total” remontam a Jack Reynolds, treinador do Ajax, da Holanda, no começo do século XX. Mesma época em que tomava força o conceito de mecânica quântica, um complexo e contemporâneo ramo da física que tem, entre seus postulados, uma lei chamada Princípio da Incerteza. A lei diz que nunca saberemos a exata posição das coisas. Nunca saberemos onde os elétrons de um átomo estão exatamente. Há elétrons que, inclusive, somem de um lugar e reaparecem em outro. Não dá para ver qual caminho seguiram ao ir de um lugar a outro, só sabemos que eles fazem isso. Paralelismo perfeito com o “Futebol Total”.
Venho estudando essas relações também no jornalismo. O mestre Edvaldo Pereira Lima, que dirige um curso pioneiro de pós-graduação em jornalismo literário no país, criou o método “Escrita Total” de redação espontânea. Detalhe: Pereira Lima é professor (aposentado) da Universidade de São Paulo, fez doutorado nessa instituição e pós-doutorado na Universidade de Toronto, no Canadá, além de ser autor de diversos livros. Tem, portanto, lastro acadêmico para tanto.
Ele trabalha seus cursos de jornalismo literário com conceitos ligados à física quântica. Afirma que se baseia na Teoria dos Hemisférios Cerebrais, no conceito de neuroplasticidade aplicado à criatividade e em conteúdos de vanguarda das ciências, incluindo a psicologia humanista e a teoria literária, para chegar à “Escrita Total”.
Há seis anos, administro o “FutCiência”; dentro da também pioneira Universidade do Futebol. Lá, há artigos de alunos, teses e tudo quanto é tipo de assunto relacionado ao esporte. A partir de agora, é inaugurado, aqui nesta IMPRENSA, o “Futebol Quântico”, união do futebol e da “Escrita Total”.
Tomo a liberdade de terminar esta narrativa com um trecho do conterrâneo Ignácio de Loyola Brandão, que escreveu na apresentação do meu livro “A Bola e Verbo – o Futebol na Crônica Brasileira”: “Quanto mais simples é a escrita, mais difícil ela é na sua feitura. A simplicidade exige disciplina, talento, aplicação. E essa simplicidade aparente está aqui para decifrar uma coisa que parece simples, no entanto, é complexa: o mundo do futebol”.
Audacioso pela forma de jogar. Não há chutão. Jogadores trocam de posição a todo o momento. A bola passa de pé em pé numa clara inspiração no Barcelona de Pep Guardiola, que, por sua vez, implantava no time da Catalunha o chamado “Futebol Total”: sistema em que os jogadores saem constantemente de suas posições de jogo originais e são substituídos por outros, sem perder a sua estrutura. Desta maneira, o atleta não tem uma posição: qualquer um pode ser o zagueiro ou o atacante.
As origens do “Futebol Total” remontam a Jack Reynolds, treinador do Ajax, da Holanda, no começo do século XX. Mesma época em que tomava força o conceito de mecânica quântica, um complexo e contemporâneo ramo da física que tem, entre seus postulados, uma lei chamada Princípio da Incerteza. A lei diz que nunca saberemos a exata posição das coisas. Nunca saberemos onde os elétrons de um átomo estão exatamente. Há elétrons que, inclusive, somem de um lugar e reaparecem em outro. Não dá para ver qual caminho seguiram ao ir de um lugar a outro, só sabemos que eles fazem isso. Paralelismo perfeito com o “Futebol Total”.
Venho estudando essas relações também no jornalismo. O mestre Edvaldo Pereira Lima, que dirige um curso pioneiro de pós-graduação em jornalismo literário no país, criou o método “Escrita Total” de redação espontânea. Detalhe: Pereira Lima é professor (aposentado) da Universidade de São Paulo, fez doutorado nessa instituição e pós-doutorado na Universidade de Toronto, no Canadá, além de ser autor de diversos livros. Tem, portanto, lastro acadêmico para tanto.
Ele trabalha seus cursos de jornalismo literário com conceitos ligados à física quântica. Afirma que se baseia na Teoria dos Hemisférios Cerebrais, no conceito de neuroplasticidade aplicado à criatividade e em conteúdos de vanguarda das ciências, incluindo a psicologia humanista e a teoria literária, para chegar à “Escrita Total”.
Há seis anos, administro o “FutCiência”; dentro da também pioneira Universidade do Futebol. Lá, há artigos de alunos, teses e tudo quanto é tipo de assunto relacionado ao esporte. A partir de agora, é inaugurado, aqui nesta IMPRENSA, o “Futebol Quântico”, união do futebol e da “Escrita Total”.
Tomo a liberdade de terminar esta narrativa com um trecho do conterrâneo Ignácio de Loyola Brandão, que escreveu na apresentação do meu livro “A Bola e Verbo – o Futebol na Crônica Brasileira”: “Quanto mais simples é a escrita, mais difícil ela é na sua feitura. A simplicidade exige disciplina, talento, aplicação. E essa simplicidade aparente está aqui para decifrar uma coisa que parece simples, no entanto, é complexa: o mundo do futebol”.





