Funcionários da Rádio Nacional relatam falta de condições de trabalho

Durante o carnaval, a emissora ficou fora do ar, pela primeira vez desde a fundação, em 1936.

Atualizado em 20/03/2015 às 12:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Funcionários da Rádio Nacional, da EBC, relataram que estão trabalhando sem condições mínimas, como ar condicionado e água para beber. Por cinco dias, durante o carnaval, a emissora carioca ficou fora do ar pela primeira vez desde a fundação em 1936.
Crédito:Reprodução Funcionários denunciam falta de condições de trabalho na Rádio Nacional
De acordo com o Estadão Conteúdo, os problemas já foram informados aos sindicatos dos jornalistas e radialistas, ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Trabalho. As entidades passaram a pressionar a EBC por providências.
Além disso, funcionários têm pedido dispensa médica porque passam mal com frequência. Em alguns casos, a programação ao vivo, de noticiários e outros programas, teve de ser substituída por sequências de músicas.
Em janeiro, a temperatura do estúdio, de paredes vedadas, chegou a 35 graus - a recomendação é que a temperatura fique entre 20 e 23 graus - contou um jornalista. Ele não se identificou por se sentir perseguido.
“É uma tragédia anunciada, todo mundo sabia que a transferência provisória das rádios Nacional e MEC para o prédio da TV Brasil ia dar errado. O que vivemos vai contra tudo o que aprendemos e tudo o que vemos ser feito por outras emissoras estatais, como a BBC e a Deutsche Welle", disse.
Os problemas também estão presentes na TV Brasil, que hospeda a rádio na Avenida Gomes Freire. De acordo com o servidor, trabalhadores não-concursados não receberam salário este mês, e os extintores de incêndio estão fora do prazo de validade.
“A gestão é muito amadora. O noticiário do meio-dia da TV Brasil passou a ser feito em Brasília, com a equipe sendo deslocada para lá, porque no Rio não há condições. Alguns funcionários compraram ventiladores com o próprio dinheiro”, contou.
Para que a rádio retorne ao prédio histórico, na Praça Mauá, seriam necessárias obras de alto custo. "É um momento triste, e reflete muito a maneira institucional com a qual se lida, ou melhor, não se lida com memória no Brasil", disse Sonia Virginia Moreira, pesquisadora da história da emissora nos anos 1980.
“Nos anos 1940, era o lugar para se estar. O Repórter Esso foi pioneiro para o radiojornalismo. As radionovelas criaram uma linguagem nacional. A rádio tinha várias orquestras, e seus artistas eram as maiores celebridades do País. Tudo isso era possível porque a rádio recebia verbas do Estado e tinha anunciantes”, completou Sonia.
A EBC negou que haja atraso salarial e informou que problema no ar condicionado está sendo sanado. A empresa atribui a saída do ar durante o carnaval a um temporal que atingiu a torre de transmissão de suas rádios e que o prédio antigo está fechado para obras.
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