Frustrada com o jornalismo, blogueira censurada por deputado do MT desiste da profissão
Frustrada com o jornalismo, blogueira censurada por deputado do MT desiste da profissão
Atualizado em 03/03/2011 às 18:03, por
Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.
Por Com seis ações correntes; uma liminar de censura que dura mais de um ano e meio; e isolada da imprensa do estado do Mato Grosso, a blogueira Adriana Vandoni informou ao Portal IMPRENSA que resolveu deixar o jornalismo definitivamente.
Adriana - economista por formação - ganhou notoriedade nacional quando, ao lado dos blogueiros Fábio Pannunzio e Enock Cavalcanti, foi proibida pela Justiça do MT de citar em sua página pessoal, , o nome de José Geraldo Riva (PP), deputado estadual que chegou a ser cassado no começo do ano e que responde a 118 ações do Ministério Público.
O motivo da interrupção de Adriana foi seu desencanto com o jornalismo, profissão que, segundo ela, é "linda e indispensável à democracia, mas que atualmente está amarrada".
Sufocada pelo que chamou de "conluio" dos Três Poderes no MT, Adriana joga a toalha ao ver que seu trabalho, no final das contas, não surtiu o efeito esperado.
"É uma frustração muito grande você ver as coisas como estão, e eu comecei a me repetir. Escrevendo sempre sobre os mesmos escândalos, mudando apenas os personagens", desabafou. "E aqueles antigos que eu tinha denunciado ou relatado alguns fatos estão muito bem aí, livres e comentndo os mesmos erros".
Exceto pela liminar do deputado Riva, a blogueira nunca perdeu uma ação, mas as batalhas judiciais a venceram pelo cansaço, pelo "desgaste emocional". "A gente sempre ganha, mas o desgaste emocional de ver um oficial de justiça na porta da sua casa é muito grande", explicou. "E gastei um bom dinheiro e isso sempre atrapalha. No fundo, é uma forma de te extorquir. É uma censura indireta".
Temerosa de que os embates com a Justiça a levassem à falência, a blogueira conta que enveredou por um processo que foi cabal para a decisão de largar mão da empreitada jornalística: a autocensura.
"Você acaba se autocensurando e isso vira uma paranoia, você não pode escrever nada porque senão vão te processar e um oficial de justiça vai atrás de você, sabe?".
Em um estado "provinciano", como se refere Adriana ao MT, um jornalista independente tem vida curta, seja pela extorsão monetária por meio de ações na Justiça ou pelo desamparado da maioria dos colegas que, atrelados a veículos comandados por "coroneis", se furtam em apoiá-la.
"Quando você atua sozinha, você tem que lidar com inúmeras variáveis. Principalmente em um estado como MT, que é provinciano, violento, e existem ainda muitos coronéis da política, pessoas que ameaçam. Aí você percebe que, se não tem uma estrutura maior, um amparo, fica muito difícil".
A apatia da blogueira em relação ao jornalismo chegou a tal ponto, que ela analisa como justas as normativas do período de ditadura militar em relação à imprensa, já que, ressalvando os horrores daquela época, pelo menos era sabido sobre o que se podia falar no jornalismo.
"Na época da ditadura, nós tínhamos regras claras: 'Você não pode escrever sobre isso, isso e isso. E hoje é pior, porque você não tem regras. Então, você não sabe sobre o que você não pode [escrever]", analisou.
Ainda que a ação do deputado Riva tenha sido a mais impetuosa na carreira de Adriana, a última que tomou conhecimento pelas mãos de um oficial de justiça abalou suas convicções de forma irreversível. Ofendida por reportagem de uma colaboradora de Adriana sobre relações íntimas de presos, uma diretora de um presídio do MT decidiu processá-la por danos morais. Nos autos do processo, a funcionária pública - que não foi citada na matéria e nem estava no cargo à época - pede R$ 15 mil de indenização por aquilo que classificou de "dor íntima".
Adriana deixa seu blog aos cuidados de amigos e colaboradores. Sem saber se volta a lecionar como economista ou se busca carreira em outra profissão, a blogueira se diz certa de que não retorna ao jornalismo.
Veja a repercussão da censura à Adriana nos maiores veículos do país.
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Adriana - economista por formação - ganhou notoriedade nacional quando, ao lado dos blogueiros Fábio Pannunzio e Enock Cavalcanti, foi proibida pela Justiça do MT de citar em sua página pessoal, , o nome de José Geraldo Riva (PP), deputado estadual que chegou a ser cassado no começo do ano e que responde a 118 ações do Ministério Público.
| Reprodução |
| Antigo layout do Prosa e Política |
O motivo da interrupção de Adriana foi seu desencanto com o jornalismo, profissão que, segundo ela, é "linda e indispensável à democracia, mas que atualmente está amarrada".
Sufocada pelo que chamou de "conluio" dos Três Poderes no MT, Adriana joga a toalha ao ver que seu trabalho, no final das contas, não surtiu o efeito esperado.
"É uma frustração muito grande você ver as coisas como estão, e eu comecei a me repetir. Escrevendo sempre sobre os mesmos escândalos, mudando apenas os personagens", desabafou. "E aqueles antigos que eu tinha denunciado ou relatado alguns fatos estão muito bem aí, livres e comentndo os mesmos erros".
Exceto pela liminar do deputado Riva, a blogueira nunca perdeu uma ação, mas as batalhas judiciais a venceram pelo cansaço, pelo "desgaste emocional". "A gente sempre ganha, mas o desgaste emocional de ver um oficial de justiça na porta da sua casa é muito grande", explicou. "E gastei um bom dinheiro e isso sempre atrapalha. No fundo, é uma forma de te extorquir. É uma censura indireta".
Temerosa de que os embates com a Justiça a levassem à falência, a blogueira conta que enveredou por um processo que foi cabal para a decisão de largar mão da empreitada jornalística: a autocensura.
"Você acaba se autocensurando e isso vira uma paranoia, você não pode escrever nada porque senão vão te processar e um oficial de justiça vai atrás de você, sabe?".
Em um estado "provinciano", como se refere Adriana ao MT, um jornalista independente tem vida curta, seja pela extorsão monetária por meio de ações na Justiça ou pelo desamparado da maioria dos colegas que, atrelados a veículos comandados por "coroneis", se furtam em apoiá-la.
"Quando você atua sozinha, você tem que lidar com inúmeras variáveis. Principalmente em um estado como MT, que é provinciano, violento, e existem ainda muitos coronéis da política, pessoas que ameaçam. Aí você percebe que, se não tem uma estrutura maior, um amparo, fica muito difícil".
A apatia da blogueira em relação ao jornalismo chegou a tal ponto, que ela analisa como justas as normativas do período de ditadura militar em relação à imprensa, já que, ressalvando os horrores daquela época, pelo menos era sabido sobre o que se podia falar no jornalismo.
"Na época da ditadura, nós tínhamos regras claras: 'Você não pode escrever sobre isso, isso e isso. E hoje é pior, porque você não tem regras. Então, você não sabe sobre o que você não pode [escrever]", analisou.
Ainda que a ação do deputado Riva tenha sido a mais impetuosa na carreira de Adriana, a última que tomou conhecimento pelas mãos de um oficial de justiça abalou suas convicções de forma irreversível. Ofendida por reportagem de uma colaboradora de Adriana sobre relações íntimas de presos, uma diretora de um presídio do MT decidiu processá-la por danos morais. Nos autos do processo, a funcionária pública - que não foi citada na matéria e nem estava no cargo à época - pede R$ 15 mil de indenização por aquilo que classificou de "dor íntima".
Adriana deixa seu blog aos cuidados de amigos e colaboradores. Sem saber se volta a lecionar como economista ou se busca carreira em outra profissão, a blogueira se diz certa de que não retorna ao jornalismo.
Veja a repercussão da censura à Adriana nos maiores veículos do país.
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