Freud à milanesa

Freud à milanesa

Atualizado em 08/08/2008 às 17:08, por Rodrigo Manzano / Fotos: Pya Lima.

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Sempre às quintas-feiras, os leitores da Folha de S.Paulo têm um espaço reservado na agenda com um dos mais conhecidos psicanalistas do Brasil, Contardo Calligaris



Não fosse psicanalista, Contardo Calligaris poderia hoje carregar uma câmera nos ombros, tivesse dado continuidade ao seu projeto pessoal de fotógrafo. No final dos anos 1960, Calligaris sobrevivia, entre outras atividades, fazendo fotografias. Quando enviado à Índia pela editora De Agostini para fazer uma reportagem fotográfica, foi agarrado pela perna por uma menina que pedia esmolas nas ruas de Mumbai. Naquele momento, percebeu que não teria condições de fotografar a miséria e desistiu da carreira.

Se a miséria material o afastou da fotografia, uma outra categoria de miséria o aproximou da psicanálise. Não à toa, Freud, certa vez, escreveu que se preocupava com o que chamou de "miséria psicológica das massas". Essa tem sido a matéria-prima de Contardo Calligaris, seja no trabalho clínico, em seu consultório nos Jardins, na capital paulista, seja na sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, às quintas-feiras, quando lança o olhar incisivo e não-convencional sobre os mais diversos temas, da política às celebridades.

Nascido em Milão quando a Itália ainda se recuperava dos traumas da 2ª Grande Guerra, na juventude circulou pela Europa tateando as diversas possibilidades intelectuais que lhe apareciam. O roteiro o encaminhou para a Inglaterra, Suíça, Estados Unidos, França e finalmente ao Brasil, para onde veio pela primeira vez com o objetivo de lançar a tradução em português de um livro seu. Sua produção literária o fez reconhecido entre os intelectuais paulistanos, perfil muito próximo do que procurava a redação dos Frias para a imagem que vinha transmitindo desde a sua grande reforma editorial, nos anos 1980. Era 1994 e Contardo Calligaris freqüentava a Folha como colunista do caderno "Mais!", em colaborações quinzenais e, eventualmente, como editor convidado. A partir de 1999, passou também a escrever para a "Ilustrada" e desde então vem sendo aclamado como uma voz destoante do senso comum, que assola a opinião pública, dentro e fora da imprensa. Exemplo: enquanto toda mídia mostrava-se escandalizada com o episódio sexual envolvendo a apresentadora Daniela Cicarelli, flagrada numa praia espanhola com seu namorado, Calligaris não poupou os mais conservadores ao afirmar que os críticos do comportamento da modelo o faziam porque "não se trata de um momento de sexo, mas de uma tarde de amor". Esse é um dos textos que compõem a coletânea "Quinta-Coluna", recém-lançada pela Publifolha. À IMPRENSA, Calligaris falou sobre jornalismo e mídia, política e, claro, psicanálise.

Leia a entrevista completa na edição 237 de IMPRENSA