Fox News liderou onda extremista após o 11 de Setembro
Se o posicionamento da emissora de TV americana Fox News já era polêmico, após os atentados em setembro de 2001, o canal contribuiu para umaonda de extremismo e preconceito na mídia dos Estados Unidos, afirmam especialistas em comunicação.
Atualizado em 09/09/2011 às 16:09, por
Luiz Gustavo Pacete.
Como lembrou em um artigo o articulista da Folha de S. Paulo , Nelson Sá, no dia seguinte após os atentados do 11 de setembro, as declarações polêmicas foram disparadas. O âncora Bill O'Reilly, da Fox News, afirmou que "o povo de qualquer país é responsável pelo governo que tem; os alemães foram responsáveis pelo Hitler". Já a colunista Ann Coulter disse que os EUA "deveriam invadir seus países e convertê-los ao cristianismo", se referindo a nações mulçumanas.
Divulgação Glenn Beck Após os atentados, diversas outras vozes extremistas americanas viraram notícia com suas declarações polêmicas. Glenn Beck, também da Fox News, enfrentou, em janeiro, um protesto do grupo judaico "Jewish Funds for Justice" (Jfsj), com mais de 10 mil assinaturas, pedindo sua saída do canal pelo fato de seus comentários incitarem o ódio religioso e racial no país.
Para o jornalista americano Kenneth Rapoza, ex-correspondente da Dow Jones no Brasil, "a influência da mídia de direita nos Estados Unidos é muito grande. Vários livros foram escritos sobre o crescimento, a ideologia, e os homens por trás desse movimento, que era pequeno na época de Richard Nixon, mas explodiu quando o democrata Bill Clinton tirou a Casa Branca dos republicanos". Segundo Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas, a Fox "virou uma coisa radical, partidária e influenciou outras", como a CNN e a MSNBC.
Entre os comunicadores mais conhecidos da chamada "mídia de direita" estão Erick Erickson, editor do blog "Red State", e George Will, colunista do Washington Post e da revista Newsweek , além de Sean Hannity, que afirma que "Bush foi impecável na guerra ao terror". Kenneth assinala que a audiência da Fox "tem idade média de 60 anos, é branca, masculina e composta por eleitores do Partido Republicano". A emissora costuma ser agressiva na cobertura de temas, como mudanças climáticas e fim da guerra contra o terrorismo, quase sempre com postura contrária a essas pautas.
Em outra polêmica recente, o apresentador David Letterman, da CBS, foi ameaçado após dizer, em tom de piada, que "Ilyas Kashmiri, morto durante um ataque aéreo no Paquistão, no início de junho, vai se unir ao líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, que foi eliminado por forças especiais americanas, em dois de maio no Paquistão". Um jihadista publicou, em resposta a Letterman, em um site: "Não há entre vós um Sayyid Nossair al-Masri, que corte a língua deste pobre judeu e o cale para sempre?".
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