"Foto básica já não funciona mais", diz o fotógrafo Ricardo Bakker, na seção "Ponto de Vista"
"Foto básica já não funciona mais", diz o fotógrafo Ricardo Bakker, na seção "Ponto de Vista"
Na seção "Ponto de Vista" dessa semana, o Fotógrafo Ricardo Bakker relata como ingressou no mundo do fotojornalismo e suas experiências em 11 anos de Diário de S.Paulo .
Ricardo Bakker, ou Ricardinho, como é conhecido entre os amigos, entrou para o Diário de S.Paulo , à época Diário Popular , em 1988, na função de boy interno. Logo, surgiram oportunidades de promoção. "Eu tinha duas opções: iria para a datilografia, que na época estava na moda, ou para o departamento de foto. Sem pensar muito eu disse: Ah, vou para a fotografia".
| Ricardo Bakker |
Em princípio, ele recebia e analisava fotos das agências de notícias. "Eu olhava as fotos e encaminhava para o pessoal da redação que decidia qual entrava para o jornal". Com o tempo, Bakker aprendeu, sem qualquer intenção, a "ler" imagens. Assim iniciou-se um processo de aprendizado que, gradativamente, trazia Ricardinho para o mundo da fotografia.
Segundo relata, aprendeu a compor imagens em sua cabeça e a imaginar como determinado fato ficaria se fotografado. "Eu usava a janela do ônibus como moldura e pensava: Nossa, mas isso daria uma bela imagem". Apesar de pensar como um fotógrafo, não existia a idéia de que, um dia, se tornaria um profissional.
| Ricardo Bakker |
Logo, o convívio com o mundo do jornalismo e a dinâmica da fotografia levaram Bakker a considerar a possibilidade de ser fotógrafo. "Eu comecei a pensar nisso, mas eu via que era muito difícil naquela época, assim como é difícil hoje". Na visão de Bakker, a redação do Diário Popular não tinha espaço para ele. "Só de freelas eles tinham 36 fotógrafos. Como que eu ia entrar?"
Em busca de uma alternativa, Bakker iniciou um curso de fotografia no Senac. Logo, já dominava as técnicas e se posicionava como líder de sua turma.
| Ricardo Bakker |
Paralelo ao curso e a sua rotina na redação, Bakker tentava concluir o segundo grau, estudando à noite. Por coincidência, uma de suas professoras era conhecida de um dos proprietários do Jornal do Cambuci e o indicou para trabalhar no diário. "Foi assim que eu e entrei para a fotografia profissional. Na primeira cobertura para o Cambuci eu consegui a capa".
O trabalho no Jornal do Cambuci evoluía e Bakker ganhava experiência rapidamente. Quando percebeu que dentro do Diário de S.Paulo não conseguiria seguir carreira, resolveu se demitir. "Eu pedi minhas contas, disse que estava indo embora porque ali não tinha jeito". No entanto, um mês depois, ele foi chamado para voltar, mas dessa vez como fotógrafo.
A responsabilidade e o nome de Bakker cresciam proporcionalmente ao seu oportunismo e a qualidade das fotos. Não demorou muito para que se tornasse um dos mais respeitados fotojornalistas de São Paulo.
| Ricardo Bakker |
Sobre sua rotina no diário, ele explica que o cotidiano contribui para a perda da sensibilidade, de um olhar mais artístico. "Eu acho q a fotografia se identifica muito com a arte, mas se você não tomar cuidado o jornal te transforma em um operário. Não há tempo de olhar a luz, um ângulo diferente, mais trabalhado".
| Rafael Bakker |
| O fotógrafo Ricardo Bakker clicado por seu filho de seis anos |
Ele comenta, ainda, a banalização da fotografia graças aos avanços tecnológicos. "Pensando na história da fotografia, você não pode culpar ninguém pelos avanços da tecnologia. Eu acho que celular é pra fotografar, inclusive, uma das fotografias mais importantes do século é a da morte do Sadam. Feita por um celular. Mas sei, também, que a técnica é mais do que necessária nesse momento. Foto básica já não funciona mais".






