Fórum da ANER debate transformação das revistas na era digital

Aconteceu nesta terça-feira (27), em São Paulo, o XI Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). A edição de 2017, intitulada “Como tornar a atividade sustentável e lucrativa nestas múltiplas plataformas”, teve como objetivo discutir formas de garantir a monetização das publicações, aumentar seu alcance, relevância e receita por meio da inovação em cada plataforma.

Atualizado em 27/09/2017 às 17:09, por Gisele Sotto.

Crédito: “Nossos desafios são imensos, complexos e mutantes. Fazer negócios no setor de mídia é para os loucos e apaixonados. Adequar o produto revista sem perder a relevância é o maior desafio dos publishers. É essencial reforçar a importância econômica e social do nosso setor”, afirmou Fábio Petrossi Gallo, presidente da ANER na abertura do evento. A seguir, os convidados foram convidados a compor os painéis. O primeiro deles, “Onde estamos. Para onde vamos”, teve a participação de John Wilpers e Thomaz Souto Corrêa. “A mídia tem um futuro promissor e rentável. As coisas não estão fora do controle, não adianta fazer o papel de vítima. É o que você faz e o que não faz, e ainda mais importante – como você faz. Um das perguntas mais relevantes a se fazer é ‘qual é a sua missão (da empresa)?’ e assumir o desafio de fazer a companhia inteira caminhar na mesma direção”, afirmou Wilpers. Para Corrêa, a tecnologia tem se colocado na frente na missão e do trabalho. “O que me preocupa é como a tecnologia está impactando o jornalismo. O jornalismo está passando por mudanças, está ficando mais fácil atingir as pessoas”, apontou. Wilpers complementou “meu foco seria que o editorial e o marketing conversassem juntos”, disse. Questionado por Côrrea sobre como a tecnologia está ajudando a propaganda, afirmou: “temos a oportunidade de responder às necessidades dos leitores com tecnologia. Preste atenção em seus dados, eles irão dizer o que seus leitores precisam. Eu acho que o impresso vai permanecer para sempre”. No segundo painel, intitulado “The view from the top”, falaram Marcelo Rech, da ANJ e Walter Longo, presidente do Grupo Abril. “Nosso desafio é estabilizar a queda das receitas. Pela primeira vez os veículos saíram do corner . É necessário acelerar a percepção do valor da mídia profissional. A grande tendência é o brand safety , a segurança de marca é que faz a diferença para os anunciantes e leitores”, apontou Longo. “Dá para ganhar dinheiro com o impresso. Tem dois universos a serem trabalhados, o da informação fugaz versus o porque e como. O caminho é assumir o papel de responder às perguntas do porque e como, indo de forma mais analítica do que factual – nos guiar como concierges da informação. Perdemos a oportunidade de nos posicionar como o antídoto às fake news , faltou um posicionamento coletivo dos veículos, só vimos ações isoladas. Daqui para frente não somos mais uma house of media, mas uma house of brands , contemplando outras formas de distribuição do conteúdo. Os leitores não estão buscando isenção na mídia, mas engajamento. Um assinante passa a ser como um sócio torcedor de um clube, defendendo junto causas. Ganhar dinheiro é ir ao encontro do que o leitor quer e precisa”, apontou Longo. Para Rech, a chave é o posicionamento. “No que você [como empresa] é o melhor do mundo? Responder essa questão permite a expansão e o diferenciamento”, disse. “Temos que nos acostumar a formas diferentes de ganhar dinheiro. Buscar formas de criar conteúdo relevante sem gastar tanto”, completou Longo. No terceiro painel do dia, “receitas provenientes do leitor”, estiveram Murilo Bussab, da Folha de S. Paulo, o jornalista Ricardo Perez e John Wilpers. Na visão de Bussab é necessário encontrar a melhor forma de monetizar a audiência. “Não vai salvar o negócio de ninguém, mas tem que ser feito, é um fonte importante de receita”, apontou. “Para nós custa dinheiro produzir o conteúdo, tem valor. Os leitores irão pagar por uma paixão [que encontram no conteúdo]”, disse Wilpers. “Tem que apostar no cliente que é fã da marca, que topa pagar por conteúdo digital pela lógica da conveniência. E atrelar a isso o lançamento de serviços adicionais. É possível monetizar de quem tem relação com a sua marca, tem vínculo com ela”, finalizou Perez.
O XI Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) aconteceu no auditório Philip Kotler na ESPM, em São Paulo. Saiba mais: