Formato híbrido pode trazer 'novas possibilidades' à Bienal, diz Ana Maria Machado
Escritora que participou de todas as edições do evento, e estará na mesa de debates sobre a Festa Literária das Periferias (FLUP)
Atualizado em 19/11/2021 às 10:11, por
Denise Bonfim.
Estar presente em 20 edições do maior evento literário do país é uma marca para poucos. Ousaríamos dizer: imortais. É o caso de Ana Maria Machado, escritora que ocupa a 1ª cadeira da Academia Brasileira de Letras e, neste ano, media a mesa de debates 'FLUP - Da periferia para o centro. Do centro para a Periferia', que vai falar sobre a importância da Festa Literária das Periferias.
Ao lado de Heloísa Buarque de Holanda, ela comandará a entrevista com quatro personagens da Flup Pensa - Jessé Andarilho, Rodrigo Santos, Yasmin Thayná e Monique Nix, da primeira geração da FLUP, que está prestes a completar dez anos. Ana Maria também estava no palco na primeira edição, realizada no antigo Casarão dos Prazeres, Rio de Janeiro.
"Foi e continua sendo muito comovedor [participar do projeto desde o início]. Foi uma emoção forte ver como os criadores da Flup, liderados por Ecio Sales e Julio Ludemir, acreditavam no projeto com uma fé contagiante e uma disposição inquebrantável de ir à luta para fazer acontecer", conta. Crédito:Tânia Rêgo/Agência Brasil A escritora Ana Maria Machado "Era uma energia tão fantástica, combinada a uma usina de baos ideias e um entusiasmo para arregaçar as mangas e trabalhar, que foi capaz de vencer todos os obstáculos - que não têm sido poucos. Vi como eles venceram as dúvidas de outros, driblaram tentativas de apropriação alheia e armadilhas de boicote, ultrapassaram perdas dolorosas e tentações de desânimo... E foram multiplicando vitórias, revelando talentos, semeando parcerias, fazendo desabrochar tanta riqueza cultural escondida", diz.
Em 2019, a Bienal recebeu mais de 600 mil pessoas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares em 10 dias de evento. Desta vez, ela marca o retorno dos grandes eventos no Rio de Janeiro em meio à pandemia, e terá algumas restrições. As palestras começam no dia 3 e vão até 12 de dezembro, no Riocentro.
O tema 'Que história queremos contar a partir de agora' será desenvolvido em formato híbrido, com eventos em dois turnos com intervalo de 1h para higienização do espaço. A capacidade de público está reduzida em 50%, e a apresentação do comprovante de vacinação com as duas doses será exigido.
Para Ana Maria, o formato é desafiador, e pode trazer novos desafios e possibilidades para o público e palestrantes.
"Temos ainda de ter muitos cuidados sanitários e pode ser que isso limite a participação do público nessa grande festa popular. Mas pode ser também que as possibilidades digitais do formato híbrido nos tragam recordes e revelem caminhos e realidades que nem suspeitamos", espera.
"A população carioca adotou a Bienal como uma festa sua há muito tempo - e a força participativa e criadora desse fato sempre nos surpreende."
Para ela, a união entre a Bienal e a Flup é algo que deveria ter acontecido desde o início.
"A Bienal é a grande festa do livro do Rio de Janeiro, a pioneira e mãe de todas do Brasil – aliás, me alegro em constatar que participei de todas desde a primeira, ainda nos corredores do Copacabana Palace, abarrotados de gente a lhe assegurar o sucesso que despontava", relembra.
"A FLUP é a grande festa literária da periferia, completando dez anos de sucesso, incorporando uma grande parte da população que ainda não tinha voz ativa na cena do livro. É inadmissível pensar que ainda não estavam juntas. E muito positivo constatar que esse erro está sendo corrigido."
As expectativas sobre a mesa de debates são as melhores possíveis.
"Espero encontrar o que encontro sempre em tudo o que se refere à Flup: revelações e surpresas. Vou sempre aberta para aprender e descobrir com a Flup. E eles nunca me desapontaram. Vou coordenar essa mesa com a disposição de ouvir, aprender, acolher a palavra da periferia e me encantar com a beleza que ela sempre me traz. Como aprendi desde pequenina, com Ismael Silva, gênio do samba e grande amigo de meu pai: "Deixa falar..." É isso que espero da mesa que vou coordenar: deixar que falem e aprender com essa voz."
Ao lado de Heloísa Buarque de Holanda, ela comandará a entrevista com quatro personagens da Flup Pensa - Jessé Andarilho, Rodrigo Santos, Yasmin Thayná e Monique Nix, da primeira geração da FLUP, que está prestes a completar dez anos. Ana Maria também estava no palco na primeira edição, realizada no antigo Casarão dos Prazeres, Rio de Janeiro.
"Foi e continua sendo muito comovedor [participar do projeto desde o início]. Foi uma emoção forte ver como os criadores da Flup, liderados por Ecio Sales e Julio Ludemir, acreditavam no projeto com uma fé contagiante e uma disposição inquebrantável de ir à luta para fazer acontecer", conta. Crédito:Tânia Rêgo/Agência Brasil A escritora Ana Maria Machado "Era uma energia tão fantástica, combinada a uma usina de baos ideias e um entusiasmo para arregaçar as mangas e trabalhar, que foi capaz de vencer todos os obstáculos - que não têm sido poucos. Vi como eles venceram as dúvidas de outros, driblaram tentativas de apropriação alheia e armadilhas de boicote, ultrapassaram perdas dolorosas e tentações de desânimo... E foram multiplicando vitórias, revelando talentos, semeando parcerias, fazendo desabrochar tanta riqueza cultural escondida", diz.
Em 2019, a Bienal recebeu mais de 600 mil pessoas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares em 10 dias de evento. Desta vez, ela marca o retorno dos grandes eventos no Rio de Janeiro em meio à pandemia, e terá algumas restrições. As palestras começam no dia 3 e vão até 12 de dezembro, no Riocentro.
O tema 'Que história queremos contar a partir de agora' será desenvolvido em formato híbrido, com eventos em dois turnos com intervalo de 1h para higienização do espaço. A capacidade de público está reduzida em 50%, e a apresentação do comprovante de vacinação com as duas doses será exigido.
Para Ana Maria, o formato é desafiador, e pode trazer novos desafios e possibilidades para o público e palestrantes.
"Temos ainda de ter muitos cuidados sanitários e pode ser que isso limite a participação do público nessa grande festa popular. Mas pode ser também que as possibilidades digitais do formato híbrido nos tragam recordes e revelem caminhos e realidades que nem suspeitamos", espera.
"A população carioca adotou a Bienal como uma festa sua há muito tempo - e a força participativa e criadora desse fato sempre nos surpreende."
Para ela, a união entre a Bienal e a Flup é algo que deveria ter acontecido desde o início.
"A Bienal é a grande festa do livro do Rio de Janeiro, a pioneira e mãe de todas do Brasil – aliás, me alegro em constatar que participei de todas desde a primeira, ainda nos corredores do Copacabana Palace, abarrotados de gente a lhe assegurar o sucesso que despontava", relembra.
"A FLUP é a grande festa literária da periferia, completando dez anos de sucesso, incorporando uma grande parte da população que ainda não tinha voz ativa na cena do livro. É inadmissível pensar que ainda não estavam juntas. E muito positivo constatar que esse erro está sendo corrigido."
As expectativas sobre a mesa de debates são as melhores possíveis.
"Espero encontrar o que encontro sempre em tudo o que se refere à Flup: revelações e surpresas. Vou sempre aberta para aprender e descobrir com a Flup. E eles nunca me desapontaram. Vou coordenar essa mesa com a disposição de ouvir, aprender, acolher a palavra da periferia e me encantar com a beleza que ela sempre me traz. Como aprendi desde pequenina, com Ismael Silva, gênio do samba e grande amigo de meu pai: "Deixa falar..." É isso que espero da mesa que vou coordenar: deixar que falem e aprender com essa voz."





