Formação em jornalismo não garante vaga no mercado de trabalho francês
Formação em jornalismo não garante vaga no mercado de trabalho francês
Os franceses são mestres em termos de especificidades, mas a particularidade francesa das Escolas de Jornalismo poderia servir de inspiração aos legisladores tupiniquins. No território francês, os coleginhas não precisam, necessariamente, exibir um diploma de jornalista - mas a mídia procura cada vez mais uma mão-de-obra qualificada saída das universais francesas.
As grandes escolas de jornalismo, como a de Lille e o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Jornalistas (CFPJ), recebem jovens formados em outras fileiras universitárias, alguns deles oriundos de instituições renomadas, como Science Po. As escolas de jornalismo oferecem cursos com duração de dois anos e com uma filosofia de trabalhos práticos.
O jornalista Stéphane Siohan, responsável de pedagogia e desenvolvimento do CFPJ, comenta que o corpo docente da instituição é formado apenas por jornalistas profissionais que são contratados. Na realidade, eles pedem um ano sabático nas redações em que trabalham e se dedicam, ao longo deste período, a formar as novas gerações de jornalistas.
O problema é quando estes jovens profissionais, ávidos por ingressar no mercado, chegam às redações. Eles encontram um mercado extremamente competitivo, com empresas deficitárias que muitas vezes exigem repórteres multimídias, mas pagam salários irrisórios. Não, esta não é uma descrição do mercado de trabalho brasileiro, mas sim o universo dos jornalistas franceses, que estão descobrindo as agruras do trabalho precário.
Mas o mercado francês sofre ainda com a concorrência dos jornais gratuitos, que estão abocanhando as receitas publicitárias da grande imprensa. Soma-se a isso, o fato de os jornais gratuitos, como o Metro , trabalharem com redações enxutas e um conteúdo oriundo basicamente das agências de notícias. Tudo isso provoca uma drástica queda no espaço dado ao jornalismo de investigação, que exige dias ou meses de trabalho árduo.
O jornalista Fabrice Pozzoli-Montenay, secretário geral na França da Associação dos Jornalistas Europeus, salienta que o profissional de imprensa deve seguir as "regras de ouro" do jornalismo - ou seja, checar os fatos antes de publicar. Mas com as agências em tempo real, internet e a onda dos blogs, muitas vezes os jornalistas deixam de lado este princípio básico, assim como as velhas normas do código de ética da profissão.






